Disputa societária

GPA obtém liminar para barrar saída do Casino do capital da companhia

Por Redação - Em 20/04/2026 às 2:32 PM

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O embate também ocorre em um momento delicado para o GPA, que enfrenta desafios financeiros e negocia a reestruturação de cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas

A Justiça concedeu ao Grupo Pão de Açúcar (GPA) uma liminar que impede o grupo francês Casino de vender sua participação acionária na companhia, em meio a uma disputa bilionária envolvendo responsabilidades fiscais e societárias.

A decisão judicial representa um novo capítulo no conflito entre as empresas, que já se arrasta desde 2025. O GPA busca evitar que o antigo controlador se desfaça de sua fatia antes da definição sobre quem deve arcar com possíveis passivos tributários acumulados ao longo dos anos em que o Casino esteve à frente da operação no Brasil.

No centro da controvérsia está uma cobrança da Receita Federal relacionada ao pagamento de Imposto de Renda entre 2007 e 2013. O valor em discussão pode chegar a cerca de R$ 2,5 bilhões, o que elevou o nível de tensão entre as partes e levou à abertura de um processo de arbitragem.

A liminar agora obtida pelo GPA funciona como uma medida preventiva para preservar garantias financeiras enquanto o mérito da disputa não é julgado. Na prática, a decisão impede que o Casino venda sua participação — estimada em mais de 20% do capital — e eventualmente deixe o quadro acionário sem assumir responsabilidades futuras.

O receio do GPA é que a saída do grupo francês reduza a capacidade de cobrança em caso de derrota no processo fiscal. Por outro lado, o Casino passa por reestruturação financeira na Europa e busca liquidez, o que reforça o interesse em vender ativos fora de seu mercado principal.

O embate também ocorre em um momento delicado para o GPA, que enfrenta desafios financeiros e negocia a reestruturação de cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas.

Para o mercado, a decisão judicial adiciona um novo fator de incerteza ao futuro da companhia. Investidores acompanham de perto tanto o desfecho da arbitragem quanto o eventual redesenho da estrutura acionária, que pode redefinir o controle e a governança do grupo nos próximos meses.

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