Infraestrutura global

Estrangeiros assumem 90% dos aeroportos nas capitais e Infraero perde espaço no Brasil

Por Redação - Em 04/05/2026 às 12:01 AM

A espanhola Aena lidera esse processo, com sete aeroportos sob gestão, incluindo Congonhas e Galeão, dois dos mais estratégicos do País

O mapa da aviação brasileira mudou de forma considerável em pouco mais de uma década. Operadores internacionais já controlam cerca de 90% dos aeroportos localizados em capitais, consolidando domínio sobre 25 dos 29 principais terminais do País, enquanto a estatal Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) encolheu de protagonista nacional para uma presença cada vez mais residual no setor.

O avanço é resultado direto do ciclo de concessões iniciado em 2011, que abriu espaço para grupos estrangeiros diante da ausência, à época, de empresas brasileiras com experiência consolidada na gestão de grandes ativos aeroportuários, segundo avaliação do presidente da Anac, Tiago Faierstein. Hoje, conglomerados de sete países operam os maiores aeroportos urbanos do Brasil, em um movimento impulsionado também pela padronização regulatória global do transporte aéreo, que reduz incertezas para investidores internacionais.

A espanhola Aena lidera esse processo, com sete aeroportos sob gestão, incluindo Congonhas e Galeão, dois dos mais estratégicos do País. Na sequência, aparecem grupos como o mexicano Asur, com seis terminais, e a francesa Vinci Airports, com cinco. Enquanto isso, apenas quatro aeroportos em capitais seguem fora do controle estrangeiro: Santos Dumont, Belém, Cuiabá e Macapá.

Em sentido oposto, a Infraero passou de administradora de 67 aeroportos em 2010 para apenas 23 atualmente, dos quais só 10 mantêm voos regulares. A estatal ainda preserva participações em ativos relevantes, como Guarulhos e Brasília, mas a tendência apontada por especialistas é de retração contínua, especialmente com novas relicitações e leilões previstos.

A transformação reposiciona o setor aeroportuário brasileiro dentro de uma lógica internacionalizada de infraestrutura, aproximando o País de operadores globais com expertise técnica e capacidade de investimento, mas também reduzindo o protagonismo nacional em uma área considerada estratégica para logística, turismo e integração econômica.

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