MERCADO

70% dos jovens querem empreender e 66% temem instabilidade financeira, aponta estudo do British Council

Por REDAÇÃO - Em 04/05/2026 às 3:41 PM

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Estudo revela mudança no comportamento profissional e maior busca por autonomia entre jovens — Foto: Pexels

Em meio às transformações do mercado de trabalho, jovens brasileiros têm redefinido prioridades e colocado a segurança financeira no centro das decisões profissionais. É o que revela o relatório Next Generation Brasil, do British Council, que mostra também o avanço do empreendedorismo como alternativa ao emprego formal.

De acordo com o levantamento, 66% dos jovens entre 16 e 35 anos temem não conseguir um trabalho que garanta estabilidade no futuro. Ao mesmo tempo, 62% apontam a segurança financeira como o principal fator para a felicidade, embora 27% relatem dificuldades frequentes para cobrir despesas básicas.

O cenário é influenciado por desafios estruturais do mercado. Entre os entrevistados, 66% citam salários abaixo das necessidades, enquanto 56% apontam jornadas excessivas que afetam o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Problemas como ambientes de trabalho hostis e falta de oportunidades de crescimento também aparecem como entraves relevantes.

Empreendedorismo ganha força 

Diante desse contexto, cresce a busca por alternativas. O estudo mostra que 70% dos jovens pretendem abrir o próprio negócio nos próximos cinco anos, enquanto 32% já preferem empreender em vez de seguir no emprego formal. Outros 27% afirmam já ter alguma atividade informal ou fonte de renda extra.

A principal motivação é a independência financeira, citada por 56% dos participantes, seguida pelo desejo de autonomia e flexibilidade. Ainda assim, o caminho do empreendedorismo enfrenta obstáculos, como a falta de capital inicial, mencionada por 63%, e lacunas em conhecimentos de gestão e finanças.

Segundo Bárbara Cagliari Lotierzo, diretora interina de Engajamento Cultural do British Council no Brasil, o movimento reforça a necessidade de políticas mais conectadas à realidade dos jovens. “Quando os jovens colocam a segurança financeira como prioridade e demonstram interesse por novas competências, isso reforça a necessidade de ampliar o acesso a oportunidades de formação e de inserção produtiva mais sustentáveis ao longo do tempo”, afirma.

O levantamento também evidencia o interesse crescente por qualificação. Cursos de curta duração em inteligência artificial, finanças pessoais e habilidades digitais aparecem entre os mais desejados, sinalizando uma geração mais atenta às exigências do mercado contemporâneo.

Além disso, o estudo aponta desigualdades no acesso ao trabalho. Entre jovens que vivem em favelas, 48% estão na informalidade, percentual significativamente superior à média nacional, o que reforça a importância de iniciativas voltadas à inclusão produtiva.

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