Comigo ninguém pode

Brasil ocupa o Pavilhão da Bienal de Veneza com exposição inédita de Adriana Varejão e Rosana Paulino

Por Jussara Beserra - Em 06/05/2026 às 9:10 AM

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Brasil ocupa o Pavilhão da Bienal de Veneza com exposição inédita de Adriana Varejão e Rosana Paulino -Créditos: Rafa Jacinto / Fundação Bienal de São Paulo

O Brasil chega à 61ª edição da La Biennale di Venezia, que acontece de 9 de maio a 22 de novembro de 2026, com a exposição Comigo ninguém pode, projeto curatorial de Diane Lima que reúne, pela primeira vez, Adriana Varejão e Rosana Paulino no Pavilhão do Brasil, em Veneza.

A mostra ocupa integralmente o espaço com obras históricas e trabalhos inéditos desenvolvidos especialmente para a exposição, criando uma leitura sobre memória colonial, espiritualidade, natureza e permanência dentro da arte contemporânea brasileira. O título faz referência à planta popularmente associada à proteção e à resistência, conceito que conduz toda a narrativa expositiva.

Memória em construção

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Exposição transforma o Pavilhão do Brasil em espaço de memória e tensão histórica

A curadoria propõe um diálogo onde arquitetura, pintura, escultura e desenho operam como partes de uma mesma experiência sensorial. Em vez de seguir uma lógica linear, o percurso utiliza aproximações cromáticas, simbólicas e matéricas para construir uma atmosfera de tensão e transformação.

Em suas novas produções para Veneza, Adriana Varejão amplia a investigação sobre as marcas da colonização brasileira, integrando suas pinturas à arquitetura modernista do pavilhão. Já Rosana Paulino apresenta obras que tensionam a imagem da mulher negra como estrutura de continuidade histórica, associando corpo, ancestralidade e reconstrução.

Narrativa brasileira

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Projeto curatorial de Diane Lima leva arte brasileira contemporânea a Veneza

A leitura proposta por Diane Lima evita o caráter didático e aproxima a exposição de uma experiência imersiva. A curadora articula as duas artistas como uma composição única, marcada por contrastes, convergências e camadas históricas que atravessam diferentes tempos da cultura brasileira.

A participação brasileira também marca a conclusão do processo de recuperação do Pavilhão do Brasil, edifício projetado em 1964 por Giancarlo Palanti, Henrique Mindlin e Walmyr Lima Amaral. A restauração reposiciona o espaço como uma plataforma estratégica para a presença cultural do país no circuito internacional de arte.

Neste cenário, o Brasil chega à Bienal de Veneza não apenas para expor obras, mas para disputar narrativa. A exposição transforma o pavilhão em um território de memória, enfrentamento histórico e imaginação política.

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