Efeito da Guerra
Guiana acelera enriquecimento com alta do petróleo e desponta como novo petroestado da América do Sul
Por REDAÇÃO - Em 11/05/2026 às 11:08 AM

Petróleo transforma a economia da Guiana — Foto: divulgação/Guyana Department of Public Information
Enquanto boa parte do mundo enfrenta inflação, pressão sobre combustíveis e temor de desabastecimento por causa da guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel, a pequena Guiana, vizinha do Brasil, vive um cenário oposto. Impulsionado pela disparada do petróleo no mercado internacional, o país sul-americano vem ampliando receitas em ritmo acelerado e consolidando sua posição como o mais novo petroestado do mundo.
O avanço ocorre em meio ao bloqueio do Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo consumido globalmente. Com a redução da oferta internacional, o barril Brent ultrapassou a faixa de US$ 100, elevando significativamente a arrecadação guianense.
A produção de petróleo bruto da Guiana já supera 920 mil barris por dia e deve atingir a marca de um milhão de barris diários em 2026. A combinação entre expansão produtiva e valorização da commodity vem transformando rapidamente a economia do país.
Desde 2020, a economia guianense cresce em média 40,9% ao ano, segundo dados do Banco Mundial. Apenas em 2025, as receitas provenientes do petróleo representaram 37% do orçamento nacional, com arrecadação próxima de US$ 2,5 bilhões. Antes mesmo da guerra no Oriente Médio, a expectativa oficial era alcançar US$ 2,8 bilhões em receitas petrolíferas em 2026.
Com a escalada das tensões internacionais, os números mudaram rapidamente. Estimativas citadas pela revista The Economist apontam que as receitas petrolíferas da Guiana passaram a crescer cerca de US$ 370 milhões por semana desde o início do conflito.

Expansão da produção petrolífera acelera projetos de infraestrutura no país — Foto: divulgação/Guyana Department of Public Information
O boom do petróleo já provoca reflexos visíveis no país. Projetos de infraestrutura, construção de estradas, escolas, centros de saúde e moradias ganharam ritmo acelerado. O governo também anunciou bônus financeiros para cidadãos acima de 18 anos, em meio à expansão das receitas públicas.
Apesar do avanço econômico, especialistas alertam para desafios estruturais. A inflação segue pressionando o custo de vida, os preços dos alimentos aumentaram cerca de 25% em curto período e ainda há forte desigualdade social no país.
Outro ponto de atenção envolve a gestão das receitas petrolíferas. Atualmente, boa parte da renda gerada pela exploração ainda é destinada às empresas responsáveis pelos investimentos iniciais, enquanto o governo mantém recursos sob controle de um Fundo de Recursos Naturais criado para garantir estabilidade fiscal e planejamento de longo prazo.
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