Aviação

Alta do combustível leva ao cancelamento de mais de 3,5 mil voos no Brasil

Por REDAÇÃO - Em 23/05/2026 às 10:57 AM

Cerimônia Vôo Inaugural Fortaleza Cayenne (8)

Companhias aéreas ajustam operações diante da alta global do querosene de aviação — Foto: arquivo/Portal IN

A disparada no preço do querosene de aviação (QAV) já começa a provocar impactos diretos no transporte aéreo brasileiro. Dados apresentados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apontam que mais de 3,5 mil voos foram cancelados em maio no país em razão da alta do combustível, movimento impulsionado pela escalada das tensões no Oriente Médio.

A previsão da agência é que outros 2,6 mil voos sejam cancelados em junho, ampliando os efeitos sobre a malha aérea nacional. As informações foram apresentadas pelo gerente de Acompanhamento de Mercado da Anac, Luiz Fernando de Abreu Pimenta, durante audiência na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados.

“Fizemos uma avaliação e, apesar da redução da malha aérea, nenhum destino deixou de ser atendido pelo transporte aéreo. Também não há, hoje, risco de desabastecimento”, afirmou o representante da agência reguladora.

Segundo o Ministério do Turismo, os impactos já atingem principalmente as rotas regionais. Acre, Amazonas, Pernambuco, Goiás, Pará, Paraíba e Minas Gerais aparecem entre os estados mais afetados pela redução das operações aéreas.

Para tentar amenizar os efeitos da alta do combustível, a Petrobras implementou um programa temporário para parcelamento do reajuste aplicado às distribuidoras de querosene de aviação. De acordo com o gerente de Comércio Interno de Combustíveis de Aviação da estatal, Thiago Dias de Oliveira, o reajuste de abril ficou limitado a 18%.

“Em maio, o programa foi renovado. O reajuste ficou limitado a 28% em relação ao preço de março. A diferença continua parcelada em seis vezes”, explicou.

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) defende a prorrogação da suspensão do PIS/Cofins sobre o QAV até o fim do ano. Atualmente, o benefício tributário segue válido apenas até o fim de maio.

O diretor do Departamento de Combustíveis e Derivados do Ministério de Minas e Energia, Edie Andreeto Jr., destacou que o impacto do petróleo sobre outros combustíveis no Brasil foi menor do que em outros países. “O Brasil teve o segundo menor impacto do mundo, atrás apenas da Espanha”, disse.

O cenário preocupa o setor aéreo porque o Brasil ainda importa até 30% do querosene de aviação consumido no país, o que aumenta a exposição às oscilações do mercado internacional de petróleo.

Mais notícias

Ver tudo de IN Business