EXPORTAÇÕES

China interrompe compras de três frigoríficos brasileiros após detectar falhas sanitárias

Por REDAÇÃO - Em 23/05/2026 às 8:28 PM

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Fiscalização sanitária chinesa amplia monitoramento sobre cargas brasileiras de carne bovina destinadas ao mercado asiático — Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A suspensão temporária das exportações de três frigoríficos brasileiros pela China acendeu um alerta no setor de proteína animal e movimentou a cadeia de exportação de carne bovina no País. O embargo atinge unidades da JBS, PrimaFoods e Frialto após autoridades chinesas identificarem irregularidades sanitárias em cargas enviadas ao mercado asiático, principal destino internacional da carne brasileira.

A medida foi confirmada pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que classificou a decisão como preventiva e temporária. Segundo a entidade, as empresas já trabalham para rastrear os lotes envolvidos e corrigir os problemas apontados pelas autoridades sanitárias chinesas.

Foram suspensas a unidade da JBS em Pontes e Lacerda, no Mato Grosso, a planta da PrimaFoods em Araguari, Minas Gerais, e o frigorífico da Frialto em Matupá, também no Mato Grosso.

O caso mais detalhado envolve a Frialto. A companhia informou que a fiscalização chinesa identificou a presença do hormônio sintético acetato de medroxiprogesterona em uma das cargas exportadas pela empresa. Após o embargo, a unidade de Matupá reduziu em 40% sua produção enquanto reorganiza os embarques para outros mercados internacionais.

Parte da carne bovina que seria destinada à China passou a ser redirecionada para países como Estados Unidos, México, integrantes da União Europeia e mercados árabes e asiáticos.

Posicionamentos

A empresa informou que iniciou uma investigação técnica para identificar a origem do problema nos lotes envolvidos. Em nota, a Frialto afirmou esperar a retomada das operações antes do início do novo ciclo de exportações da cota chinesa de 2027.

Segundo a companhia, a suspensão acontece justamente em um momento em que o Brasil já se aproxima do limite de exportação estabelecido pela cota chinesa para 2026, cenário que naturalmente reduziria o volume de embarques no segundo semestre.

A Abiec ressaltou que o Brasil mantém um dos sistemas de controle sanitário “mais rigorosos do mundo”, com monitoramento permanente da cadeia produtiva e fiscalização conduzida pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF).

“As cargas questionadas pela China estão sendo tratadas conforme os protocolos sanitários acordados entre os dois países”, afirmou a entidade.

Contramão

O episódio ocorre em um momento contraditório para o setor. Na mesma semana em que anunciou novas suspensões, a China autorizou a retomada das exportações de outras três plantas brasileiras que estavam embargadas desde março de 2025.

Na quarta-feira (20), foram reabilitadas as unidades da JBS em Mozarlândia (GO), da Frisa em Nanuque (MG) e da Bon-Mart Frigorífico em Presidente Prudente (SP).

Na ocasião, a Abiec comemorou a decisão chinesa e afirmou que a retomada das habilitações demonstrava a confiança das autoridades asiáticas na qualidade da carne bovina brasileira e no sistema sanitário nacional.

A entidade também destacou a atuação do Ministério da Agricultura e Pecuária nas negociações realizadas diretamente em Pequim para restabelecer as autorizações de exportação.

Hoje, o Brasil possui mais de 100 frigoríficos habilitados para exportar carne bovina para a China, mercado que concentra uma parcela estratégica das vendas externas do agronegócio brasileiro.

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