Cenário sul-americano
Lula reforça atuação regional do Brasil diante de crise na Bolívia
Por Julia Fernandes Fraga - Em 26/05/2026 às 12:16 AM

Rodrigo Paz, líder conservador, telefonou para o presidente brasileiro na segunda-feira, 25. Foto: Reprodução/Instagram
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou, na segunda-feira (25), o envio de ajuda humanitária à Bolívia após um pedido feito pelo presidente Rodrigo Paz em meio à escalada da crise política e do desabastecimento no país vizinho.
Segundo o Palácio do Planalto, os dois mandatários conversaram por telefone sobre os impactos provocados pelos protestos e bloqueios de estradas que atingem principalmente a região de La Paz, onde já há registros de escassez de alimentos, combustíveis e outros insumos.
Apoio brasileiro
De acordo com auxiliares do Governo do Brasil, Rodrigo Paz solicitou apoio logístico e humanitário ao Brasil, incluindo o empréstimo de aeronaves para transporte interno de alimentos, envio de mantimentos não perecíveis e uma manifestação pública de Lula em defesa do diálogo institucional no país andino.
A resposta brasileira foi imediata. Após a conversa, Lula autorizou o envio da ajuda humanitária solicitada pelo governo boliviano.
Defesa do diálogo institucional
Durante o telefonema, Lula reiterou solidariedade ao governo e ao povo bolivianos e destacou a importância do respeito às instituições democráticas e ao Estado de Direito.
Segundo nota divulgada pelo Planalto, o presidente brasileiro defendeu que governo e movimentos sociais evitem o agravamento da crise por meio da violência e priorizem o diálogo para preservar a estabilidade social.
A movimentação reforça o papel do Brasil como articulador regional em um momento de instabilidade política na América do Sul. O gesto também ganhou peso diplomático por partir de Rodrigo Paz, presidente identificado com setores de centro-direita e que assumiu o comando da Bolívia após quase duas décadas de hegemonia da esquerda no país.
Escalada da crise na Bolívia
A crise boliviana se intensificou nas últimas semanas após protestos de camponeses, indígenas, mineiros, professores e outros setores sociais contra medidas econômicas adotadas pelo novo governo.
Entre os principais pontos de tensão estiveram a retirada de subsídios aos combustíveis e a aprovação de uma lei fundiária criticada por movimentos sociais, que acusavam o governo de favorecer grandes produtores rurais. A norma acabou revogada após pressão popular, mas os protestos continuaram e ampliaram os bloqueios em diferentes regiões do país.
A maior parte das manifestações ocorre no entorno da capital La Paz, onde o desabastecimento já afeta mercados e serviços essenciais.
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