FINANÇAS
Crédito no Brasil encolhe R$ 45,6 bilhões em abril com alta da inadimplência, aponta BC
Por REDAÇÃO - Em 28/05/2026 às 11:43 AM

Dados do Banco Central mostram retração nas concessões de empréstimos e aumento dos índices de atraso no pagamento de dívidas — Foto: arquivo/Portal IN
A oferta de crédito no Brasil registrou forte retração em abril, em meio ao avanço da inadimplência e ao elevado nível de endividamento das famílias. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que as concessões de empréstimos caíram 6,2% no período, representando uma redução de R$ 45,6 bilhões em novos financiamentos no mercado.
Segundo o levantamento das Estatísticas Monetárias e de Crédito do BC, o volume total de concessões passou de R$ 737,1 bilhões em março para R$ 691,5 bilhões em abril. A queda atingiu tanto o crédito livre quanto o direcionado, modalidade que inclui financiamentos imobiliários e rurais.
No segmento de crédito livre, utilizado em operações como empréstimo pessoal e cartão de crédito, a retração foi de 5,9%, com as concessões recuando para R$ 626,4 bilhões. Já o crédito direcionado apresentou queda ainda mais intensa, de 9,1%, totalizando R$ 65,1 bilhões no mês.
As operações voltadas para pessoas físicas tiveram redução de 4,3% em abril, somando R$ 337,3 bilhões. Entre as empresas, o recuo foi de 7,6%, para R$ 289,2 bilhões. Apesar da desaceleração mensal, os indicadores ainda acumulam crescimento em 12 meses.
O Banco Central também apontou piora nos índices de inadimplência. A taxa de atraso nas operações de crédito livre subiu de 5,7% para 5,8% no mês. Entre pessoas físicas, o índice avançou de 7% para 7,2%, enquanto nas empresas passou de 3,5% para 3,6%.
Outro dado que segue pressionando o consumo é o elevado nível de endividamento das famílias brasileiras, que permaneceu em 49,8% da renda anual em março, acima do registrado um ano antes.
Os juros elevados continuam sendo um dos principais fatores por trás da redução no apetite por crédito. A taxa média do crédito livre chegou a 49,5% ao ano, alta de 4,5 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado. Para pessoas físicas, os juros médios atingiram 63% ao ano.
De acordo com o Banco Central, o cenário ainda reflete os efeitos da política monetária mais rígida adotada para conter a inflação, mesmo após os recentes cortes na taxa Selic.
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