indicadores econômicos

Endividamento das famílias atinge recorde e avança pelo quinto mês seguido

Por Redação - Em 11/06/2026 às 12:01 AM

Calculadora, Boletos, Boleto Bancário Foto Agência Brasil

O percentual de lares com algum tipo de dívida chegou a 81,6%, ante 80,9% registrados em abril FOTO: Agência Brasil

O endividamento das famílias brasileiras voltou a crescer em maio e alcançou o maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O percentual de lares com algum tipo de dívida chegou a 81,6%, ante 80,9% registrados em abril, marcando o quinto avanço mensal consecutivo.

O levantamento considera compromissos financeiros como cartão de crédito, empréstimos pessoais, crédito consignado, cheque especial, carnês de lojas e financiamentos de veículos e imóveis. O cartão de crédito segue como a principal modalidade utilizada pelas famílias endividadas, presente em 84,6% dos casos.

Além do crescimento do endividamento, a pesquisa mostrou uma piora na inadimplência. A parcela de famílias com contas em atraso passou de 29,7% para 29,9% entre abril e maio. Já o percentual daqueles que afirmam não ter condições de quitar os débitos permaneceu em 12,3%.

Os dados refletem um cenário de juros elevados e orçamento doméstico pressionado. Segundo a CNC, o aumento do uso do crédito de curto prazo tem ampliado o comprometimento da renda das famílias, especialmente entre as faixas de menor poder aquisitivo. Entre os consumidores com renda de até três salários mínimos, a inadimplência alcançou 38,6% em maio.

Outro indicador de preocupação é o crescimento da parcela de brasileiros que se consideram muito endividados. Em maio, esse grupo representava 17% dos entrevistados, o maior percentual registrado desde junho de 2024.

Para especialistas, a combinação entre crédito caro, inflação persistente e perda de poder de compra continua limitando a capacidade de pagamento das famílias. O cenário reforça a importância do planejamento financeiro e da busca por alternativas de renegociação para evitar o agravamento da inadimplência nos próximos meses.

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