Influência crescente
Cotado para liderança no Senado, Camilo Santana revela ascensão no núcleo político de Lula
Por Julia Fernandes Fraga - Em 24/06/2026 às 6:17 PM

Ex-governador foi eleito senador em 2022 e titular do MEC até abril deste ano. Foto: MEC
Da política cearense ao núcleo político do Palácio do Planalto. A possível indicação de Camilo Santana (PT-CE) para a liderança do governo no Senado representa mais um capítulo de uma trajetória que, em pouco mais de uma década, o levou de deputado estadual a governador, ministro de Estado e um dos principais nomes de confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Agora, o cearense pode assumir uma das funções de maior peso na articulação política do governo federal, expandindo seu protagonismo nacional em um momento decisivo de sua caminhada política.
A possível mudança ocorre em meio ao desgaste do atual líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Nos bastidores, diferentes veículos da imprensa nacional apontam Camilo como o principal cotado para substituí-lo, embora a decisão final dependa de uma conversa entre Lula e o senador baiano.
Do Cariri ao centro das decisões nacionais
A eventual nomeação simboliza um percurso político construído a partir do Ceará. Deputado estadual mais votado em 2010, Camilo foi escolhido pelo grupo político liderado por Cid Gomes (PSB), então governador, para disputar o Governo do Estado em 2014, quando ainda tinha projeção predominantemente regional, sendo representante da região do Cariri.
Venceu a eleição naquele ano, foi reeleito em 2018 com ampla vantagem e, quatro anos depois, tornou-se um dos principais articuladores da campanha que levou Elmano de Freitas (PT) à vitória ainda no primeiro turno, em meio ao rompimento entre PT e PDT e entre os irmãos Cid e Ciro Gomes (PSDB).
No mesmo pleito, conquistou uma cadeira no Senado com a maior votação já registrada para o cargo no Ceará. Pouco depois, foi escolhido por Lula para comandar o Ministério da Educação, função que exerceu até deixar o governo em abril deste ano para se dedicar às articulações políticas da campanha eleitoral de 2026.
Embora filiado ao PT desde 2002, Camilo construiu sua projeção inicialmente na política cearense, em uma trajetória fortemente associada ao grupo liderado por Cid Gomes. A passagem pelo Ministério da Educação fortaleceu sua relação política com Lula e lhe conferiu espaço no núcleo decisório do governo federal, movimento que hoje o coloca entre os nomes lembrados para uma das funções mais estratégicas da articulação política do Executivo.
Entre Brasília e o Ceará
Se confirmada, a liderança do governo no Senado colocará um cearense em uma das funções mais relevantes do Congresso Nacional. Cabe ao líder negociar votações, coordenar a base aliada, representar o Executivo na Casa e manter interlocução permanente com a Presidência do Senado em temas de interesse do governo.
Ao mesmo tempo, a nova responsabilidade coincide com um momento decisivo da biografia política de Camilo. Principal articulador do projeto governista no Ceará, caberá a ele conduzir a estratégia de reeleição de Elmano de Freitas em uma disputa que tende a ser mais competitiva diante da pré-candidatura de Ciro Gomes ao Governo do Estado.
A coincidência entre essas duas frentes faz de 2026 um marco – independentemente do que vier a acontecer.
Mais notícias
EM FORTALEZA


























