Legado eterno
Luiz Carlos Barreto, pioneiro do cinema brasileiro, morre aos 98 anos
Por Marlyana Lima - Em 22/07/2026 às 3:50 PM

Luiz Carlos Barreto foi figura central na consolidação do cinema brasileiro – Foto: Divulgação
O cinema brasileiro perdeu nesta quarta-feira (22) um de seus mais importantes protagonistas. Morreu, aos 98 anos, o produtor, diretor, fotógrafo e jornalista Luiz Carlos Barreto, o Barretão, figura central na consolidação da indústria audiovisual nacional e responsável por algumas das obras mais emblemáticas da história do país.
Internado desde o início da semana em um hospital no Rio de Janeiro, Barretão tratava uma infecção pulmonar decorrente de uma pneumonia. Sua morte encerra uma trajetória de mais de seis décadas dedicadas ao cinema, período em que participou de mais de 100 produções e ajudou a projetar o Brasil no cenário internacional.
Fundador da LC Barreto, uma das produtoras mais importantes do país, Luiz Carlos Barreto foi um dos principais nomes do Cinema Novo, movimento que revolucionou a linguagem cinematográfica brasileira a partir da década de 1960.
Ao longo da carreira, participou da produção e cinematografia de clássicos que atravessaram gerações, como “Vidas Secas”, “Terra em Transe”, “Bye Bye Brasil”, “Memórias do Cárcere”, “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, “O Quatrilho” e “O Que É Isso, Companheiro?”.
Dois desses títulos — “O Quatrilho” e “O Que É Isso, Companheiro?” — representaram o Brasil na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Internacional, enquanto “Dona Flor e Seus Dois Maridos” se consolidou como um dos maiores sucessos de público da história do cinema nacional.
Do fotojornalismo ao cinema

Foto de Marylin Monroe feita por Luiz Carlos Barreto
Antes de construir sua trajetória no audiovisual, Barretão destacou-se como fotojornalista da histórica revista O Cruzeiro, atuando como correspondente internacional e registrando algumas das personalidades mais marcantes do século XX, entre elas Marilyn Monroe, Frank Sinatra e Fidel Castro.
Seu primeiro contato com o universo cinematográfico aconteceu ainda na juventude, quando acompanhou a passagem do cineasta Orson Welles pelo Ceará. Mais tarde, um encontro com Glauber Rocha, durante as filmagens de “Barravento”, aproximou-o definitivamente do Cinema Novo, movimento que redefiniria sua carreira e a história do cinema brasileiro.
Vida dedicada ao cinema
Casado há 71 anos com a produtora Lucy Barreto, parceira de vida e de inúmeras realizações profissionais, Luiz Carlos Barreto deixa filhos, netos, bisnetos e um legado que ultrapassa a extensa filmografia.
Sua atuação foi decisiva para profissionalizar a produção cinematográfica brasileira, ampliar a presença do país em festivais internacionais e consolidar obras que permanecem como referências da cultura nacional.
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