MERCADO FINANCEIRO

JPMorgan reduz recomendação para ações brasileiras diante de incertezas eleitorais

Por Redação - Em 12/08/2026 às 8:00 AM

Jpmorgan Reuters

Para a política monetária, o JPMorgan projeta mais um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros em setembro FOTO: Reuters

A proximidade das eleições presidenciais de outubro levou o JPMorgan a adotar uma postura mais cautelosa em relação ao mercado acionário brasileiro. O banco reduziu a recomendação para as ações do País de “overweight”, classificação que indica expectativa de desempenho acima da média, para “neutra”.

A decisão considera a possibilidade de aumento da volatilidade nos próximos meses, à medida que investidores passam a incorporar às suas estratégias as incertezas relacionadas à disputa eleitoral. Na avaliação dos analistas do banco, o cenário político permanece indefinido e tende a ganhar peso na precificação dos ativos brasileiros.

Em relatório liderado pelo analista Rodolfo Angele, o JPMorgan destacou que tanto as ações quanto o real permanecem dentro de uma faixa limitada de negociação. Diante da perspectiva de maior oscilação com a aproximação das eleições, a instituição avalia que o risco de manter uma exposição maior ao mercado brasileiro deixou de ser tão atrativo.

O banco também chama atenção para os desafios econômicos que deverão permanecer independentemente do resultado das urnas. Entre eles estão os juros reais elevados e o déficit fiscal, fatores que deverão fazer parte da agenda do próximo governo.

A decisão do JPMorgan não está relacionada apenas ao ambiente eleitoral. O banco aponta uma combinação de fatores macroeconômicos que pode limitar o desempenho dos ativos brasileiros.

Entre os pontos de atenção estão a desaceleração da atividade econômica e a deterioração do ciclo de crédito, além da perspectiva de encerramento do processo de redução dos juros pelo Banco Central.

Para a política monetária, o JPMorgan projeta mais um corte de 0,25 ponto percentual em setembro. Depois disso, a expectativa é de interrupção das reduções, com a taxa permanecendo sem novos cortes até o segundo trimestre de 2027.

Esse cenário reforça a avaliação de que as condições financeiras continuarão restritivas por um período prolongado, com reflexos sobre crédito, consumo, investimentos e resultados das empresas listadas na Bolsa.

A mudança de recomendação ocorre a cerca de dois meses das eleições presidenciais de outubro. Conforme a disputa avança, propostas relacionadas à política fiscal, trajetória da dívida pública e condução da economia tendem a ganhar maior influência sobre as decisões dos investidores.

O movimento do JPMorgan não significa uma recomendação de retirada do mercado brasileiro. A classificação “neutra” indica uma visão mais equilibrada sobre o potencial das ações do País, em contraste com a posição anterior de maior exposição.

Para o banco, a combinação entre incerteza eleitoral, juros reais elevados, déficit fiscal, desaceleração econômica e dificuldades no mercado de crédito aumenta os riscos no curto prazo. Com isso, a instituição optou por reduzir sua exposição recomendada ao Brasil enquanto aguarda maior clareza sobre o cenário político e econômico para os próximos anos.

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