setor elétrico
Lucro da Eneva cai 91,4% e fica em R$ 31,2 milhões no 2º trimestre
Por Redação - Em 13/08/2026 às 9:21 AM

Custos operacionais cresceram 41,4%, enquanto dívida líquida alcançou R$ 19,8 bilhões ao fim de junho
A Eneva encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 31,2 milhões atribuído aos controladores, queda de 91,4% frente aos R$ 364,5 milhões registrados no mesmo período de 2025. A retração ocorreu mesmo com crescimento da receita, pressionada pelo avanço dos custos e pela piora do resultado financeiro.
Entre abril e junho, a receita operacional líquida alcançou R$ 3,976 bilhões, alta anual de 13,1%. Os custos operacionais, porém, avançaram em ritmo superior, com crescimento de 41,4%, para R$ 2,47 bilhões.
O Ebitda somou R$ 1,238 bilhão, recuo de 25,8% na comparação anual. A margem Ebitda caiu 16,3 pontos percentuais e encerrou o trimestre em 31,2%.
Segundo a Eneva, o desempenho refletiu principalmente o encerramento dos contratos regulados vinculados ao Procedimento Competitivo Simplificado de 2021 (PCS 2021) e a desconsolidação dos resultados da Termelétrica Pecém II durante o processo de venda do ativo.
Parte desses efeitos foi compensada pelo maior despacho das usinas do Complexo Parnaíba, pela evolução do segmento de Upstream, pelo aumento da margem na comercialização de energia e pela melhora da margem fixa dos ativos térmicos.
Despesas financeiras
O resultado financeiro também pressionou o lucro. As despesas financeiras líquidas atingiram R$ 636,9 milhões no trimestre, ante R$ 251,8 milhões no mesmo período de 2025.
De acordo com a companhia, a variação inclui efeitos contábeis sem impacto de caixa relacionados, entre outros fatores, à variação cambial sobre o arrendamento do FSRU, à implementação da política de hedge accounting e à comparação com o resultado positivo da marcação a mercado dos swaps de dívida registrado um ano antes.
A dívida líquida consolidada avançou de R$ 18,5 bilhões no primeiro trimestre para R$ 19,8 bilhões em junho. Com isso, a alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda subiu de 2,8 para 3,2 vezes em três meses.
Investimentos
Em paralelo à pressão sobre os resultados, a Eneva manteve um volume elevado de investimentos. Os aportes somaram R$ 1,59 bilhão entre abril e junho, dos quais 86,9% foram direcionados aos principais projetos da companhia e ao desenvolvimento de Upstream.
Somente os projetos vencedores do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap), realizado em março, receberam R$ 616,3 milhões no trimestre. Desse montante, R$ 527 milhões foram destinados à aquisição de turbinas.
Os números do trimestre mostram, assim, duas dinâmicas distintas no balanço da Eneva: de um lado, crescimento de 13,1% da receita e manutenção dos investimentos em expansão; de outro, aumento dos custos, das despesas financeiras e da alavancagem, fatores que comprimiram a rentabilidade e levaram o lucro trimestral para pouco mais de R$ 31 milhões.
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