MERCADO DE CAPITAIS
B3 lucra R$ 1,38 bilhão com avanço da renda variável e volta dos IPOs
Por Redação - Em 12/08/2026 às 11:56 AM

O volume médio diário negociado em renda variável atingiu R$ 31,3 bilhões, 20% acima do registrado entre abril e junho de 2025 FOTO: Agência Brasil
A maior movimentação dos investidores na bolsa e a expansão das receitas de tecnologia e dados ajudaram a B3 a encerrar o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 1,376 bilhão, crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação com os três primeiros meses deste ano, houve recuo de 8,2%.
As receitas totais chegaram a R$ 3,1 bilhões, alta anual de 12%, enquanto o Ebitda recorrente avançou 13%, para R$ 1,938 bilhão. A margem Ebitda alcançou 70,2%, aumento de 0,47 ponto percentual em 12 meses.
O balanço captura um trimestre de maior atividade em algumas das principais frentes do mercado de capitais brasileiro. O volume médio diário negociado em renda variável atingiu R$ 31,3 bilhões, 20% acima do registrado entre abril e junho de 2025.
Dentro desse movimento, os BDRs apresentaram expansão de 42% nas transações, enquanto os fundos listados avançaram 74%.
IPO volta ao mercado depois de cinco anos
Outro sinal veio das ofertas públicas. As operações movimentaram R$ 11,6 bilhões durante o trimestre, sendo R$ 8,6 bilhões em ofertas subsequentes de ações e R$ 3 bilhões provenientes de um IPO.
Mais do que o valor captado, a operação marcou a realização da primeira oferta pública inicial de ações no mercado brasileiro em cinco anos, depois de um longo período de ausência de novas empresas na bolsa.
A retomada ocorre em um ambiente no qual o custo do capital permanece determinante para as decisões das companhias. A continuidade desse movimento nos próximos trimestres poderá indicar se a reabertura do mercado primário ganha consistência ou permanece concentrada em operações pontuais.
Tecnologia e dados avançam
Enquanto a atividade dos investidores impulsiona as linhas ligadas diretamente ao mercado, a B3 também amplia receitas menos dependentes dos volumes de negociação.
A área de tecnologia e plataformas faturou R$ 526,8 milhões, crescimento de 15,7% em um ano. Em análise de dados, por meio da Trillia, a receita chegou a R$ 315,2 milhões, avanço de 22%.
As soluções para o mercado apresentaram expansão ainda maior, de 26%, alcançando R$ 201 milhões. No conjunto, as receitas classificadas como recorrentes pela companhia cresceram 17% na comparação anual.
Essa diversificação ajuda a explicar por que o desempenho da B3 não depende exclusivamente do giro de ações. Dados, tecnologia e serviços vêm aumentando sua participação na estrutura de negócios da companhia e adicionando previsibilidade às receitas.
Derivativos seguem direção contrária
Nem todas as linhas acompanharam a expansão. Nos derivativos, o volume médio diário negociado caiu 8,3% em um ano, para 11,1 milhões de contratos.
A retração teve influência principalmente dos criptoativos, diante de mudanças nas margens exigidas para as operações e de um ambiente de menor atividade nesse mercado.
Ainda assim, o conjunto do trimestre mostra uma B3 beneficiada pela maior circulação de recursos na renda variável ao mesmo tempo em que avança na construção de receitas recorrentes.
Com lucro de R$ 1,38 bilhão, crescimento dos volumes de ações e o primeiro IPO em cinco anos, o balanço também funciona como um termômetro de um mercado de capitais brasileiro que começa a apresentar sinais de maior atividade.
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