52% X 33%

Ciro abre 19 pontos no Datafolha, mas vantagem sobre Elmano fica estável no confronto direto

Por Fernando Benevides - Em 13/08/2026 às 5:50 PM

Tucano tem 52% contra 33% no primeiro turno. Na simulação de segundo turno, que permite comparação direta com março, o quadro praticamente não se move: passou de 56% a 37% para 55% a 37%. Na espontânea, porém, Ciro amplia mais sua lembrança enquanto diminui o contingente de eleitores sem candidato definido.

Ciro Gomes x Elmano

Ciro Gomes x Elmano

A campanha começa oficialmente no domingo (16). Ciro Gomes (PSDB) chega à largada com 52% das intenções de voto contra 33% de Elmano de Freitas (PT) no cenário estimulado de primeiro turno do Datafolha contratado pelo O POVO e divulgado nesta quinta-feira (13).

Pedro Brito (Novo), Delegado Huggo (Missão) e Danilo Soares (Democrata) aparecem com 1% cada. Serley Leal (UP) e Zé Batista (PSTU) não pontuaram. Brancos, nulos e nenhum somam 7%, e 4% estão indecisos. Pedro Brito desistiu da candidatura após o registro da pesquisa e foi substituído por Vera Lúcia.

O levantamento ouviu 1.022 eleitores em 51 municípios entre 10 e 12 de agosto, com abordagem pessoal em pontos de fluxo. A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Os registros no TSE são CE-04292/2026 e BR-00994/2026.

Esse é o número do dia. Mas não é o número que mede movimento.

O confronto que permite comparação direta

Cinco meses separam esta rodada da anterior, e nesse intervalo o quadro eleitoral mudou. As chapas foram definidas, convenções realizadas, registros protocolados e nomes que apareciam nas simulações anteriores deixaram a disputa.

Há, porém, um confronto que atravessou as duas rodadas sem mudança de candidatos: a simulação direta entre Ciro e Elmano.

Em março, era 56% a 37%. Agora, 55% a 37%.

Ciro oscila um ponto para baixo, dentro da margem de erro, enquanto Elmano permanece exatamente no mesmo patamar.

No confronto direto, portanto, cinco meses de articulação política praticamente não alteraram a relação entre os dois.

Isso não significa uma eleição congelada. Significa que a estimulada de primeiro turno exige cautela quando usada para medir evolução, porque o quadro de candidatos mudou. O próprio Datafolha não faz comparação direta desse cenário entre as duas rodadas.

A espontânea mostra outro movimento

Há outro recorte que ajuda a entender como o eleitorado começa a se posicionar.

Na pesquisa espontânea — quando os nomes dos candidatos não são apresentados — Ciro passou de 15% em março para 28% agora. Elmano foi de 13% para 20%.

Ao mesmo tempo, o contingente que não sabe espontaneamente em quem votar caiu de 54% para 43%.

Os dois candidatos ampliaram sua lembrança. Mas, à medida que diminui o grupo sem candidato espontâneo, Ciro amplia mais sua presença do que Elmano.

Ainda assim, 43% não citam espontaneamente um nome. É um contingente expressivo e ajuda a explicar por que os números atuais não autorizam tratar a eleição como definida antes mesmo do início oficial da campanha.

Aprovação, avaliação e voto

Outro conjunto de números ajuda a localizar o desafio de Elmano.

54% aprovam o governo.

Quando o Datafolha pede que o eleitor classifique a administração, porém, 35% dizem ótimo ou bom, enquanto 34% consideram regular e 26%, ruim ou péssimo.

Na intenção estimulada de voto, Elmano tem 33%.

São perguntas diferentes e não podem ser tratadas como se medissem a mesma coisa. Mas, colocadas lado a lado, revelam uma distância politicamente relevante entre aprovar uma administração, avaliá-la positivamente e decidir reconduzir o governador.

A aprovação existe e é majoritária. Mas a diferença entre os 54% que aprovam, os 35% que classificam o governo como ótimo ou bom e os 33% que declaram voto em Elmano ajuda a entender por que aprovação administrativa não significa automaticamente intenção de voto.

Segurança entra no centro da disputa

A pesquisa também identifica onde está uma das maiores pressões sobre o governo.

A segurança pública é apontada como o principal problema do Ceará por 50% dos entrevistados. Em março, eram 43%.

E a preocupação atravessa o próprio eleitorado governista: entre os eleitores de Elmano, 45% também apontam a violência como principal problema do Estado.

Essa percepção convive com indicadores oficiais que o governo vem apresentando como positivos na área da segurança. A distância entre estatística e sensação de segurança tende, portanto, a se tornar um dos campos centrais da campanha.

A rejeição acrescenta outra dificuldade: Elmano aparece com 35%, a maior entre os candidatos testados. Ciro tem 21%.

A maior divergência está em Elmano

O Datafolha também acrescenta uma nova camada à discussão sobre as pesquisas eleitorais no Ceará.

Na quarta-feira (12), a AtlasIntel/Focus Poder mostrou Ciro com 49,3% e Elmano com 44,6%.

Vinte e quatro horas depois, o Datafolha encontra 52% a 33%.

Os dois institutos concordam sobre quem lidera. Discordam radicalmente sobre a distância.

E o detalhe mais interessante está em qual estimativa varia.

Para Ciro, a diferença entre os levantamentos é de apenas 2,7 pontos: 49,3% na Atlas e 52% no Datafolha.

Para Elmano, são 11,6 pontos: 44,6% na Atlas e 33% no Datafolha.

A maior divergência não está no tamanho estimado do eleitorado de Ciro. Está no de Elmano.

Os métodos são distintos. A Atlas trabalha com recrutamento digital e pós-estratificação; o Datafolha realizou entrevistas presenciais em pontos de fluxo. Os períodos de campo também não são idênticos.

Isso não permite concluir que um instituto esteja certo e outro errado. Permite identificar exatamente onde está a discrepância que as próximas rodadas terão de ajudar a explicar.

É também a razão pela qual o Portal IN defende que a melhor maneira de procurar tendência é acompanhar, antes de tudo, cada instituto contra sua própria série.

Lula entra na equação

A resposta política do governismo apareceu no mesmo dia.

Elmano esteve em Brasília com Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins (Rede), candidatos ao Senado, para produzir material de campanha com o presidente Lula.

O governador dispõe de ampla coalizão partidária, capilaridade municipal e do apoio do presidente. A imagem produzida em Brasília indica um dos caminhos escolhidos para tentar converter esses ativos políticos em voto.

O desafio, porém, vai além da associação nacional. Passa também por enfrentar os temas que hoje pressionam a avaliação do governo no próprio Ceará.

Leitura IN

O Datafolha não decide a eleição. Registra uma posição de largada — e ela é favorável a Ciro.

Mas a leitura mais útil não está apenas nos 19 pontos do primeiro turno.

No confronto direto com Elmano, o quadro permanece praticamente estável em relação a março. Na espontânea, os dois avançam, mas Ciro amplia mais sua lembrança à medida que diminui o contingente sem candidato.

Para Elmano, os números revelam outro desafio: aprovação, avaliação positiva e intenção de voto não estão no mesmo patamar.

E a principal preocupação declarada pelo eleitorado está justamente em uma área sobre a qual governo e oposição disputam narrativas diferentes: segurança pública.

Converter estrutura, alianças e Lula em voto passará também por disputar essa percepção — e não apenas por apresentar os indicadores oficiais da área.

Para Ciro, o desafio é inverso: transformar uma liderança que aparece em institutos de metodologias diferentes em vantagem sustentável quando a campanha efetivamente chegar às ruas, ao rádio e à televisão.

A partir de domingo, as duas estratégias deixam a fase de preparação.

É aí que começa a disputa que as próximas pesquisas terão de medir.


Dados: Datafolha, contratado pelo O POVO. Pesquisa realizada com 1.022 eleitores em 51 municípios entre 10 e 12 de agosto de 2026. Margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Registros TSE CE-04292/2026 e BR-00994/2026.

Mais notícias

Ver tudo de IN Poder