DESPEDIDA
Lucas Di Grassi encerra carreira após 32 anos e mira a próxima geração: “Hora de pendurar o capacete”
Por Livia Leal - Em 16/08/2026 às 10:00 PM
Brasileiro se despede das pistas aos 42 anos com título mundial da Fórmula E, 14 vitórias e 42 pódios na categoria

Lucas di Grassi ao lado do filho Leonardo / Foto: Arquivo pessoal
Lucas Di Grassi encerrou neste domingo, em Londres, uma carreira de 32 anos no automobilismo. Aos 42 anos, o brasileiro disputou sua última rodada dupla do Campeonato Mundial de Fórmula E, categoria que acompanhou desde os projetos que antecederam sua criação e na qual conquistou o título mundial na temporada 2016/17. Na despedida, porém, o piloto preferiu olhar para o futuro — especialmente para o filho, Leo, que o acompanhou no último fim de semana de sua trajetória profissional.
“Depois de 30 anos no automobilismo, é hora de pendurar o capacete. Mas, quando olho para esta foto, não penso no fim da minha carreira”, escreveu Di Grassi em uma publicação ao lado do filho.
Na carta, o brasileiro refletiu sobre as lições acumuladas ao longo de três décadas de competição. Para ele, a trajetória exigiu determinação diante das dificuldades, capacidade de lidar com derrotas e foco para continuar perseguindo objetivos mesmo em cenários adversos.
“Minha hora atrás do volante está chegando ao fim. A geração dele está apenas começando”, afirmou, ao falar sobre Leo. Di Grassi ressaltou que o filho não precisa necessariamente seguir o automobilismo, mas deseja que ele encontre seu próprio caminho, sonhe grande, aprenda com as derrotas e não considere algo impossível apenas porque ninguém fez antes.
Uma trajetória marcada pela Fórmula E

Vitória de Lucas di Grassi no primeiro E-Prix da história, em Pequim (2014) / Foto: Malcolm Griffiths / LAT Images via Getty Images
A primeira corrida oficial de Di Grassi aconteceu em 1994, no Kartódromo de Itu, quando tinha 10 anos. O brasileiro passou por categorias como Fórmula Renault, Fórmula 3, GP2, Fórmula 1 e Mundial de Endurance antes de se consolidar como um dos nomes da Fórmula E.
Em 2014, venceu a primeira corrida da história da categoria, em Pequim. Ao longo de 12 temporadas, acumulou 14 vitórias e 42 pódios, além do título mundial de 2016/17.
Sua última temporada também teve um momento marcante. Dois meses antes da despedida, Di Grassi largou em último na China e venceu, garantindo à Lola Yamaha sua primeira vitória. Em Londres, entretanto, os resultados ficaram em segundo plano. O brasileiro abandonou as duas corridas do fim de semana por problemas mecânicos e eletrônicos.

Pintura especial da equipe Lola Yamaha para a última corrida do piloto / Foto: Arquivo pessoal
Para a última etapa, a Lola Yamaha preparou uma pintura especial no carro, reunindo referências às 12 temporadas do piloto na Fórmula E. O capacete também recebeu uma homenagem aos 42 pódios conquistados na categoria. A própria Fórmula E destacou a trajetória do brasileiro durante o fim de semana e ressaltou sua contribuição para a construção de um novo caminho para o automobilismo, ligado à tecnologia e à mobilidade elétrica.
Ao encerrar a carreira, Di Grassi resumiu o momento com uma frase sobre sucessão: “Uma geração eventualmente precisa abrir espaço para que a próxima possa ir mais longe”.
Depois de 32 anos nas pistas, o capacete deixa de fazer parte da rotina profissional. O legado, porém, segue acelerando.
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