Serviços financeiros
Nubank encosta no Itaú e pode liderar lucro do varejo bancário em 2026
Por Redação - Em 19/08/2026 às 5:04 PM

O Nubank deixou de ser um competidor concentrado em cartões e contas digitais para disputar produtos de maior rentabilidade e participação na vida financeira de uma base que já alcança 139 milhões de clientes globalmente
A distância entre o maior banco privado brasileiro e seu principal desafiante digital praticamente desapareceu quando a comparação se restringe ao varejo. O lucro do Nubank já corresponde a 98% do resultado obtido pelo Itaú nesse segmento e pode superar o concorrente ainda em 2026, segundo análise do JP Morgan.
A aproximação chama atenção não apenas pelo tamanho alcançado pelo banco digital, mas pela estrutura utilizada para chegar até ele. Na avaliação dos analistas, o Nubank consegue gerar praticamente o mesmo lucro do Itaú no varejo mesmo operando com uma base de ativos significativamente menor. A diferença está na combinação entre eficiência operacional e maior retorno obtido sobre esses ativos.
A comparação coloca em perspectiva uma transformação que levou poucos anos para ganhar escala. O Nubank deixou de ser um competidor concentrado em cartões e contas digitais para disputar produtos de maior rentabilidade e participação na vida financeira de uma base que já alcança 139 milhões de clientes globalmente.
O avanço ganhou força com os números do segundo trimestre. Entre abril e junho, o Nubank registrou lucro líquido de US$ 1,06 bilhão, ultrapassando pela primeira vez a marca de US$ 1 bilhão em um único trimestre. O resultado cresceu 49% na comparação anual, enquanto o retorno sobre o patrimônio, o ROE, chegou a 33%.
A receita bruta alcançou US$ 5,9 bilhões, avanço de 56% em um ano, e a carteira de crédito chegou a US$ 39,4 bilhões. Desse total, cerca de US$ 26 bilhões estavam concentrados em cartões de crédito.
O desempenho veio acompanhado por uma expansão dos negócios sem perda equivalente de eficiência. A estrutura digital, sem a extensa rede física dos bancos tradicionais, permite ao Nubank operar com uma base de custos diferente e buscar retornos maiores em determinados segmentos de crédito.
Essa equação ajuda a explicar por que a comparação com o Itaú se tornou possível mesmo diante da diferença de escala entre as duas instituições.
Vantagem
A projeção do JP Morgan, porém, não significa que o Nubank esteja próximo de superar o Itaú em lucro total. A comparação considera especificamente o varejo bancário, área em que as operações das duas instituições possuem maior sobreposição.
O Itaú continua contando com uma estrutura muito mais diversificada, que inclui atacado, banco de investimento, gestão de recursos, seguros e outras atividades. No segundo trimestre, o banco registrou lucro líquido de aproximadamente R$ 12,4 bilhões e mantém uma das maiores bases de ativos do sistema financeiro brasileiro.
A rentabilidade também permanece elevada. No segundo trimestre, o Itaú registrou ROE de 24,3%, mantendo indicadores de qualidade de crédito sob controle.
É justamente por isso que uma eventual ultrapassagem no varejo teria peso simbólico. O Nubank estaria conseguindo produzir resultado semelhante ao de uma operação construída ao longo de décadas por uma das instituições financeiras mais rentáveis da América Latina.
Crédito passa a ser peça central
Parte da expansão recente do Nubank está associada ao crescimento da carteira de crédito. A fintech vem aumentando sua presença em empréstimos e cartões ao mesmo tempo em que utiliza dados e tecnologia para definir limites, preços e riscos.
No segundo trimestre, a carteira chegou a US$ 39,4 bilhões, enquanto o custo do crédito caiu 9% em relação aos três primeiros meses do ano. A inadimplência acima de 90 dias, entretanto, subiu para 6,9%, indicador que permanece entre os pontos acompanhados pelo mercado.
O desafio será preservar essa relação entre crescimento e risco à medida que a operação ganha escala e entra em segmentos tradicionalmente dominados pelos grandes bancos.
Disputa agora é por rentabilidade
A comparação feita pelo JP Morgan sinaliza uma mudança importante na competição bancária brasileira. Durante anos, o principal indicador de avanço das fintechs foi o crescimento da base de clientes. Agora, a disputa começa a migrar para uma métrica mais difícil de alcançar: a capacidade de transformar essa escala em lucro recorrente.
O Nubank já provou que consegue conquistar clientes em velocidade elevada. Ao alcançar um resultado equivalente a 98% do lucro do Itaú no varejo, passa a testar se sua vantagem de custos e seu modelo tecnológico também são suficientes para superar os grandes bancos justamente em uma das áreas mais relevantes de geração de resultado.
Caso a projeção do JP Morgan se confirme ainda em 2026, a ultrapassagem terá um significado que vai além de quem lucra mais em um determinado segmento: mostrará que a transformação digital do sistema financeiro brasileiro entrou em uma nova etapa, na qual os bancos digitais já não disputam apenas clientes com os incumbentes — disputam também a liderança em rentabilidade no varejo.
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