Legado no Cinema

Selton Mello recebe Kikito de Cristal e relembra os pais durante homenagem no 54º Festival de Cinema de Gramado

Por Jussara Beserra - Em 20/08/2026 às 1:48 PM

Selton Mello (3)

Uma das principais homenagens do cinema brasileiro marcou a noite de Selton Mello em Gramado – Fotos: Lucas Ramos/Brazil News

O palco do Palácio dos Festivais foi tomado pela emoção na noite desta quarta-feira (19). Antes mesmo da cerimônia, Selton Mello já havia transformado o tapete vermelho em um dos espaços mais disputados da noite. Cercado por fãs, o ator distribuiu sorrisos, atendeu a pedidos de fotos e recebeu manifestações de carinho que anteciparam o tom da homenagem que seria realizada durante a 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado.

Ao receber o Kikito de Cristal, uma das principais honrarias concedidas pelo festival, Selton conduziu um discurso marcado por lembranças pessoais, homenagens a grandes nomes da cultura brasileira e reflexões sobre o futuro do audiovisual.

Memória e ausência 

Visivelmente emocionado, o ator revelou que aquela era a primeira vez que recebia um prêmio sem a presença dos pais, Dalton e Selva, na plateia. Ao relacionar o cinema à preservação das lembranças, Selton também recordou a mãe, que morreu em decorrência do Alzheimer, doença que afeta justamente a memória.

O discurso ganhou ainda mais significado porque a homenagem ocorreu dois dias após a morte de Glória Menezes e Laura Cardoso, em 17 de agosto. Ao lembrar as duas atrizes, o artista afirmou: “Ganhar um prêmio não é pessoal, é continuidade. Quis o destino que eu ganhasse no dia seguinte em que partiram duas gigantes.”

Valor dos veteranos

A defesa dos artistas mais experientes também ocupou um espaço importante na fala do ator. Selton questionou a tendência da indústria de privilegiar apenas a renovação dos elencos e destacou que lembrar atores, atrizes, diretores e produtores é, para ele, um ato político.

“É uma profissão cruel, que sempre privilegiou o novo”, declarou. Ao citar nomes como Paulo José, Luiz Carlos Barreto, Moacyr Franco e Jorge Loredo, o ator chamou a atenção para a necessidade de reconhecer profissionais que ajudaram a construir a história do cinema brasileiro.

História em Gramado

Durante a cerimônia, Selton também revisitou a própria relação com o festival. Ainda nos anos 1990, quando trabalhava na televisão, chegou a Gramado com o desejo de encontrar um espaço no cinema.

Em 2011, abriu o festival com “O Palhaço”, longa que considera o trabalho mais pessoal da carreira. Atualmente, vive um período de projeção internacional impulsionado por produções como “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, e “Anaconda”, filmado nos Estados Unidos.

Ao encerrar o discurso, Selton resumiu o significado do reconhecimento recebido: “Eu sou porque eles foram. Eu sigo porque eles são.” A frase sintetizou uma noite em que o prêmio deixou de representar apenas uma conquista individual e passou a simbolizar a permanência da memória no cinema brasileiro.

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