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Transpetro acelera expansão, mira novos clientes e prepara operação em alto-mar

Por Redação - Em 20/08/2026 às 12:01 AM

Transpetro

Hoje, a Transpetro opera 32 navios e também realiza serviços de alívio de plataformas, atividade estratégica diante do perfil da produção brasileira

A Transpetro prepara uma nova etapa de expansão para disputar clientes além do Sistema Petrobras e ampliar sua presença no mercado de logística. A companhia pretende iniciar, em janeiro de 2027, operações de transferência de petróleo e combustíveis entre navios enquanto as embarcações estiverem em movimento, modalidade conhecida como ship-to-ship underway.

A estratégia foi apresentada durante a Navalshore 2026, realizada no Rio de Janeiro, e integra um movimento mais amplo da subsidiária da Petrobras para se posicionar como uma companhia multimodal, reunindo diferentes alternativas de transporte em uma mesma estrutura logística.

Atualmente, a Transpetro já lidera no País as operações de ship-to-ship realizadas com embarcações paradas. Somente em 2025, foram 775 transferências desse tipo, segundo a gerente executiva de Integração Logística da companhia, Adriana Andrade.

A próxima etapa será levar a operação para alto-mar com os navios em navegação. A empresa relaciona a decisão à perspectiva de crescimento da produção brasileira de petróleo e à necessidade de ampliar a eficiência no escoamento das cargas.

A Transpetro dispõe de pontos licenciados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para operações de transferência entre embarcações em localidades como Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, São Sebastião, em São Paulo, e Manaus, no Amazonas.

Estratégia mira mercado além da Petrobras

A entrada no ship-to-ship underway faz parte de uma estratégia que pretende reduzir a dependência dos negócios realizados dentro do Sistema Petrobras. A companhia quer utilizar sua infraestrutura para atender empresas brasileiras e estrangeiras interessadas em transporte por dutos, terminais, navegação interior, cabotagem e operações de longo curso.

Hoje, a Transpetro opera 32 navios e também realiza serviços de alívio de plataformas, atividade estratégica diante do perfil da produção brasileira. Cerca de 95% do petróleo produzido no País tem origem em campos offshore.

A estrutura da companhia inclui ainda 46 terminais, mais de 8 mil quilômetros de dutos e presença em 17 estados. Esse conjunto de ativos deve servir de base para a ampliação da oferta integrada de serviços.

“Qualquer coisa ligada a serviço de transporte que envolva duto, terminal, navegação interior, navegação de longo curso, navegação de cabotagem e navegação de alívio, a Transpetro está pronta”, afirmou o diretor de Transporte Marítimo da estatal, Jones Soares.

Frota própria deve chegar a 42 navios

A expansão da frota é outro eixo dos planos da companhia. Dentro do programa Mar Aberto, a Transpetro projeta elevar em 83% sua capacidade logística de cabotagem, com a frota própria passando de 26 para 42 navios.

Também estão previstos investimentos de aproximadamente R$ 2 bilhões em nove navios aliviadores com posicionamento dinâmico, além da incorporação de embarcações destinadas ao transporte de derivados, como gasolina e diesel.

Outra frente envolve a TPlog, antiga PBlog, incorporada à estrutura da Transpetro para atuar em serviços de apoio marítimo e resposta a emergências, inclusive em ocorrências envolvendo poços submarinos.

Rodovias entram no mapa

A estratégia multimodal deve avançar também sobre terra firme. A Transpetro indicou que pretende ingressar no transporte rodoviário para criar conexões entre refinarias e terminais e, dessa forma, ampliar as possibilidades oferecidas aos clientes.

A combinação entre navios, barcaças, dutos, terminais e transporte terrestre sinaliza uma mudança no posicionamento comercial da companhia. Mais do que expandir sua frota, a Transpetro busca transformar uma infraestrutura construída principalmente para atender a Petrobras em uma plataforma logística capaz de disputar cargas de diferentes empresas.

Com a produção offshore brasileira em expansão e novos investimentos previstos para a frota, o movimento coloca a subsidiária em busca de uma participação maior em um mercado que ultrapassa as fronteiras do próprio grupo Petrobras.

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