Comércio exterior
Brasil mira superávit comercial de US$ 90 bilhões com avanço em 57 mercados
Por Redação - Em 20/08/2026 às 12:01 AM

Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, o Brasil conseguiu compensar parte das perdas no mercado norte-americano com a ampliação das vendas para outras regiões
A diversificação dos destinos das exportações brasileiras ganhou peso na estratégia para sustentar o comércio exterior em 2026. Mesmo diante das barreiras impostas pelos Estados Unidos, o governo projeta encerrar o ano com superávit comercial de US$ 90 bilhões, resultado 32,3% superior ao registrado em 2025.
A estimativa foi reforçada nessa quarta-feira (19) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Segundo ele, o País conseguiu compensar parte das perdas no mercado norte-americano com a ampliação das vendas para outras regiões.
A estratégia produziu uma expansão de 10,5% do comércio exterior brasileiro com 57 países, de acordo com o ministro. O movimento mostra que, diante de um ambiente internacional mais protecionista, ampliar mercados passou a funcionar também como mecanismo de proteção para a balança comercial.
Exportações
A projeção de US$ 90 bilhões está no topo do intervalo inicialmente estimado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para 2026.
No início do ano, a pasta trabalhava com um saldo comercial entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões. Agora, a estimativa considera exportações de US$ 394,4 bilhões e importações de US$ 304,4 bilhões até dezembro.
Se confirmado, o resultado representará uma recuperação expressiva em relação a 2025, quando o Brasil registrou saldo positivo de US$ 68,3 bilhões.
O desempenho acumulado até agosto ajuda a sustentar a projeção. Da abertura do ano até a segunda semana deste mês, o superávit já alcançava US$ 52,08 bilhões, crescimento de 29,2% sobre os US$ 43,16 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2025.
Tarifas dos EUA
A perspectiva de um saldo maior ocorre justamente em um ano marcado pelas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros. O efeito das barreiras comerciais reduziu vendas para os Estados Unidos, mas estimulou empresas e governo a intensificarem a busca por outros destinos.
Segundo Elias Rosa, o crescimento das operações com dezenas de países permitiu absorver parte da retração registrada no mercado americano.
Essa redistribuição dos fluxos comerciais torna-se relevante porque diminui a dependência de um único comprador e amplia as alternativas para setores exportadores diante de mudanças tarifárias ou geopolíticas.
Os números recentes mostram que as vendas externas continuam crescendo. Até a segunda semana de agosto, as exportações avançavam 14,3% na comparação com igual período de 2025. A indústria extrativa liderava o movimento, com expansão de 27,8%, seguida pela agropecuária, com 10,4%, e pela indústria de transformação, com 8,8%.
Comércio exterior
O cenário coloca a balança comercial como uma das principais linhas de resistência da economia brasileira às tensões comerciais internacionais. Se a projeção do governo se confirmar, o País terminará 2026 com um saldo próximo dos maiores resultados de sua história, mesmo após enfrentar restrições em um de seus mercados mais importantes.
Mais do que o valor de US$ 90 bilhões, porém, a mudança relevante está na geografia das vendas brasileiras. A expansão para 57 mercados indica que a resposta ao aumento das barreiras nos Estados Unidos passa por distribuir exportações entre mais destinos — transformando a diversificação comercial em parte da estratégia para preservar receitas externas em um ambiente global mais protecionista.
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