DESEMPENHO PUJANTE
Mercado imobiliário de Fortaleza atinge R$ 4,4 bilhões até julho e mira R$ 10 bi
Por Marcelo Cabral - Em 21/08/2026 às 1:18 PM
O mercado imobiliário de Fortaleza e Região Metropolitana segue em trajetória ascendente e se aproxima de um marco inédito. Entre janeiro e julho de 2026, o setor comercializou 10.818 unidades residenciais, movimentando R$ 4,4 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) – crescimento de 12,82% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho reforça a expectativa de que encerre o ano com um volume histórico, alcançando pela primeira vez a marca de R$ 10 bilhões em VGV comercializado.

Ricardo Bezerra destaca alta de quase 13% no VGV comercializado Fotos: Robyson Alves/Portal IN
Os números fazem parte do Flash Imobiliário, levantamento produzido pela Lopes Immobilis, empresa que acompanha o comportamento do setor no Ceará desde 2010. Os dados foram apresentados nesta sexta-feira (21) pelo sócio-diretor da companhia, Ricardo Bezerra, na sede do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Ceará (Creci-CE). Além do avanço nas vendas, outro indicador chama atenção: o valor médio do metro quadrado em Fortaleza chegou a R$ 8.712,00 em julho, registrando alta de 0,68% no mês e crescimento acumulado de 4,99% no ano – desempenho superior ao INCC (4,91%), IPCA (3,44%) e IGP-M (2,08%) no mesmo período.
Um mercado em expansão
O resultado reforça a percepção do imóvel como ativo de proteção patrimonial em um cenário econômico marcado por busca por segurança e valorização de longo prazo. Para Ricardo Bezerra, o desempenho acumulado confirma a força do setor e indica um segundo semestre ainda mais aquecido. O cenário é impulsionado por uma combinação de fatores: novos lançamentos, demanda consistente e valorização dos principais corredores imobiliários da Capital.
“Historicamente o segundo semestre é melhor em vendas que o primeiro. Avião que decola bem, voa bem. E o 2SEM26 começou com julho atingindo R$ 4,4 bilhões no acumulado em sete meses, o que é exclente, pois foi quase 13% superior a igual período de 2025. Estamos com quase 11 mil unidades lançadas em Fortaleza e o nosso pipeline prevê 18 mil. Então, já atingimos quase 60% dessa previsão, o que é fantástico. Mostra que o nosso mercado é pujante, está num rumo muito positivo e equilibrado. Deveremos fechar o ano perto de R$ 10 bilhões”, afirmou.
Meireles lidera no alto padrão

Meireles apresenta o preço médio por m² mais valorizado da Capital
Entre as regiões mais valorizadas de Fortaleza, o Meireles continua ocupando posição de destaque. O bairro alcançou valor médio de R$ 18.190,00 por metro quadrado, mais que o dobro da média da cidade. Entretanto, a região da Avenida Beira-Mar apresenta vlores ainda maiores, com preços do m² variando entre R$ 24.500,00 a até R$ 29.817,00. “E estes números ainda deverão subir mais, pois nossa orla é curta e praticamente não existem mais terrenos disponíveis para venda“, explicou Bezerra.
Na sequência aparecem Aldeota, com R$ 15.850,00/m², e Cocó, com R$ 13.488,00/m², formando o principal eixo dos empreendimentos de alto padrão da capital cearense. Outra tendência observada pelo mercado imobiliário é que, paralelamente ao mercado tradicional de luxo, um novo movimento vem ganhando força: os compactos premium, imóveis de menor metragem voltados especialmente para investidores e para uma demanda ligada ao turismo e à locação.
Compactos viram ativos
Segundo Ricardo Bezerra, a transformação urbana do Meireles abriu espaço para um novo modelo imobiliário. Imóveis compactos passam a integrar estratégias de investimento, atendendo tanto à demanda turística quanto ao investidor que busca ativos em regiões valorizadas. “Fortaleza perdeu cerca de 3.000 unidades de hotelaria nos últimos anos, e não foi por falta de turistas, mas porque a região do Meireles ficou muito cara. A indústria imobiliária comprou os terrenos desses hotéis e essa perda foi compensada com os novos empreendimentos focados no mercado investidor, que são os apartamentos de pequeno porte. O mercado já lançou, nos últimos três anos, cerca de 3.000 desses imóveis, ou seja, repôs as perdas da hotelaria. Como o turismo vem crescendo, e a economia também, temos espaço para mais 3.000”, destacou.
Apesar dos resultados positivos, o setor acompanha com atenção o comportamento da taxa básica de juros. Para Ricardo Bezerra, uma eventual redução da Selic poderá acelerar ainda mais o segmento imobiliário de Fortaleza. “Aí o mercado imobiliário vai bombar! Afinal, se já estamos muito bem com essa taxa alta, imagine com ela baixa. O grande gargalo do setor é a Selic, mas estamos criando tanto, trabalhando tanto, que estamos conseguindo bater recordes de vendas”, afirmou.
Ferramenta estratégica

Tibério Benevides destaca a pujança do mercado imobiliário
De acordo o presidente do Creci-CE, Tibério Benevides, a apresentação do Flash Imobiliário na sede da entidade marca o Dia do Corretor de Imóveis, celebrado em 27 de agosto. E reforça a importância do acompanhamento técnico do setor e da disponibilidade de dados confiáveis para construtoras e profissionais do mercado. “Isso é exemplo para todo o Brasil. Tanto que o Cofeci está organizando o Observatório Imobiliário Brasileiro, coletando dados de grandes cidades do País. Nosso mercado está aquecido e esperamos atingir a casa dos R$ 10 bilhões este ano”, destacou.
Com novos empreendimentos em desenvolvimento, valorização dos principais bairros e uma demanda diversificada entre moradia, investimento e turismo, Fortaleza consolida um dos ciclos imobiliários mais relevantes de sua história. Além de transformar o mercado de imóveis em um dos principais vetores do desenvolvimento econômico da capital cearense.
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