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Eve investe US$ 88 milhões em fábrica de táxis voadores e mira equilíbrio financeiro até 2031

Por Redação - Em 22/08/2026 às 12:01 AM

Eve Air Mobility Embraer Carro Voador

A estrutura será instalada em uma unidade de apoio fabril da Embraer e começará com capacidade para produzir até 120 aeronaves por ano

A Eve Air Mobility avança na preparação para transformar seu eVTOL em um negócio de escala industrial. Criada pela Embraer em 2020, a companhia vai investir US$ 88 milhões na primeira linha de produção da aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical, em Taubaté, no interior de São Paulo, enquanto trabalha para obter a certificação do modelo em 2028.

O projeto executivo da fábrica está concluído e passa pela etapa de validação. A estrutura será instalada em uma unidade de apoio fabril da Embraer e começará com capacidade para produzir até 120 aeronaves por ano. O planejamento permite a instalação de quatro módulos, levando a capacidade máxima a 480 unidades anuais, conforme a evolução da demanda.

A escala será determinante para as contas da empresa. Segundo o CEO da Eve, Johann Bordais, o ponto de equilíbrio financeiro deve ser alcançado quando a produção chegar a aproximadamente 90 a 100 aeronaves por ano, patamar esperado entre dois e três anos após a certificação.

Carteira potencial chega a US$ 13,5 bilhões

A Eve chega à fase de preparação industrial com aproximadamente 2,7 mil eVTOLs em sua carteira, distribuídos entre 28 clientes de dez países. Considerando o livro de pré-vendas, os negócios têm valor potencial estimado em US$ 13,5 bilhões.

O primeiro voo com piloto está previsto para o segundo semestre de 2027. Já a certificação pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e pela Federal Aviation Administration (FAA), dos Estados Unidos, é projetada para 2028.

Depois das autorizações, a expectativa é realizar a primeira entrega em até uma semana. A brasileira Revo deverá receber a aeronave inaugural e possui pedido firme para aquisição de até 50 unidades, além de serviços de pós-venda.

O eVTOL da Eve combina características de helicópteros e aviões: realiza decolagens e pousos verticalmente e, durante o deslocamento, passa ao voo horizontal. Cada aeronave deverá custar cerca de US$ 5 milhões. A empresa estima que o custo operacional poderá ser até 25% inferior ao de um helicóptero, além da redução de ruído proporcionada pela propulsão elétrica.

Eve tem US$ 531 milhões em liquidez

Até transformar as encomendas em receita, a companhia precisa financiar o desenvolvimento e a certificação. Atualmente, a Eve registra uma queima anual de caixa entre US$ 225 milhões e US$ 275 milhões e dispõe de US$ 531 milhões em liquidez.

Bordais afirma que os recursos são suficientes para levar o projeto até a certificação e, por enquanto, descarta a necessidade de novas captações no mercado.

A estrutura financeira construída até aqui combina diferentes fontes. A Embraer controla 72% da Eve, enquanto o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já destinou mais de R$ 1 bilhão ao projeto. A empresa também levantou recursos com sua abertura de capital no exterior, em 2022.

Listada na Bolsa de Nova York, a Eve tem valor de mercado próximo de US$ 900 milhões. Após a certificação, a expectativa é que a venda das aeronaves passe a financiar uma parcela crescente da operação.

Estrutura da Embraer reduz riscos

A ligação com a Embraer é um dos principais ativos da Eve na corrida global pelos eVTOLs. Além dos 176 funcionários próprios, cerca de 800 profissionais da fabricante brasileira trabalham integralmente no projeto, abrangendo áreas como engenharia, suprimentos, finanças, compliance e pós-venda.

A empresa também trabalha com 22 fornecedores. Entre eles estão a britânica BAE Systems, responsável pelas baterias; a Nidec Aerospace, na área de motores elétricos; e a norte-americana Beta Technologies, fornecedora de sistemas de propulsão.

A estrutura internacional de pós-venda da Embraer também deverá ser utilizada para dar suporte às aeronaves comercializadas pela Eve.

Mercado pode movimentar US$ 280 bilhões

A companhia projeta um mercado global de 30 mil eVTOLs até 2045, capazes de transportar aproximadamente 3 bilhões de passageiros ao longo do período. A receita potencial estimada para esse mercado chega a US$ 280 bilhões.

As projeções consideram informações de 1,8 mil cidades, aproximadamente mil aeroportos e mais de 27 mil helicópteros civis atualmente em operação.

Para a Embraer, a aposta também representa uma nova avenida de crescimento. A fabricante espera que a Eve comece a oferecer uma contribuição mais relevante aos resultados do grupo principalmente entre 2029 e 2030.

Com a fábrica de Taubaté avançando, a certificação prevista para 2028 e bilhões de dólares em encomendas potenciais, a Eve entra em uma etapa decisiva: deixar de ser essencialmente um projeto de desenvolvimento aeronáutico para construir uma operação industrial capaz de produzir em escala e gerar receita.

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