Mundo em Conflito
Acordo prévio entre EUA, Israel e Líbano abre nova fase diplomática no Oriente Médio
Por Julia Fernandes Fraga - Em 27/06/2026 às 10:53 AM

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, falou sobre o ato, esclarecendo que “é começo de um começo”. Foto: Reprodução/Instagram
Estados Unidos, Israel e Líbano deram, na sexta-feira (26), um passo inédito na tentativa de reduzir as tensões no Oriente Médio ao assinarem, em Washington, um acordo-quadro que estabelece as bases para futuras negociações de paz entre israelenses e libaneses. Embora represente um avanço diplomático, a efetividade do entendimento ainda depende de um dos principais atores do conflito: o Hezbollah, que rejeitou o desarmamento previsto nas negociações.
Primeiro passo
O documento foi assinado pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pela embaixadora do Líbano em Washington, Nada Hamadeh Moawad, e pelo embaixador de Israel nos EUA, Yechiel Leiter. O acordo prevê a retirada gradual de tropas israelenses de áreas do sul do Líbano, a transferência dessas posições para o Exército libanês e o fortalecimento das Forças Armadas do país com apoio norte-americano.
Segundo Rubio, o texto estabelece as bases para uma “paz e segurança duradouras” na região. Na prática, porém, trata-se de um acordo de princípios, que ainda deverá ser desdobrado em novas negociações e mecanismos de implementação.
Poucas horas após a assinatura, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, confirmou que as Forças de Defesa de Israel iniciarão a retirada de duas áreas estratégicas no sul do território libanês. O premiê, entretanto, condicionou uma retirada maior ao desarmamento completo do Hezbollah.
Fator Hezbollah
O maior desafio para a implementação do acordo surgiu logo após sua assinatura. O secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, afirmou que o grupo continuará armado e manterá sua atuação, sinalizando que não pretende aceitar uma das principais exigências previstas no entendimento.
Como o movimento xiita não participou das negociações em Washington, especialistas avaliam que a ausência do principal grupo armado do sul do Líbano reduz, ao menos neste primeiro momento, as chances de uma aplicação integral do acordo.
Novo momento para o Oriente Médio
A iniciativa ocorre em meio aos esforços dos Estados Unidos para reduzir as frentes de instabilidade no Oriente Médio após meses de escalada militar envolvendo Israel, Irã e grupos aliados de Teerã. As hostilidades entre Israel e Hezbollah se intensificaram desde a guerra na Faixa de Gaza e voltaram a crescer neste ano, ampliando o risco de um conflito regional.
Embora ainda esteja longe de representar um tratado definitivo de paz, o acordo inaugura uma nova etapa diplomática entre Israel e Líbano. O desafio agora será transformar os compromissos firmados entre os governos em mudanças efetivas no terreno, especialmente diante da resistência do Hezbollah em abrir mão de seu arsenal e de sua presença militar no sul do país.
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