Atlas/Focus
Como o segundo voto redefine a disputa ao Senado no Ceará
Por Julia Fernandes Fraga - Em 16/06/2026 às 2:35 PM

Cid Gomes lidera as intenções, seguido por Capitão Wagner e Luizianne Lins. Foto: Montagem
A nova pesquisa AtlasIntel/Focus indica que a disputa pelas duas vagas do Senado no Ceará permanece amplamente aberta, mas revela um dado político relevante: a eventual candidatura de Cid Gomes (PSB) continua sendo o principal fator capaz de reorganizar o cenário eleitoral.
Diferentemente da eleição para o Governo do Estado, a corrida ao Senado exige atenção ao consolidado dos dois votos, já que cada eleitor pode escolher dois candidatos. Sob essa ótica, a presença ou ausência de Cid altera significativamente a dinâmica da disputa.
Com Cid, cenário ganha mais definição
No cenário em que o senador disputa a reeleição, Cid registra o maior percentual no consolidado dos dois votos, com 20,5%. Em seguida aparecem Capitão Wagner (União) e Luizianne Lins (Rede), ambos com 18,7%, enquanto Alcides Fernandes (PL) soma 15,4%.
Considerando a margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, os quatro aparecem em situação de empate técnico. Ainda assim, os números indicam que Cid preserva competitividade suficiente para surgir numericamente à frente dos demais concorrentes.
Além da visibilidade acumulada ao longo de décadas na política cearense, o senador chega ao período pré-eleitoral com forte capilaridade municipal, influência sobre prefeitos, deputados e lideranças locais, fatores que ajudam a explicar seu desempenho nos cenários testados.
Na prática, sua presença tende a tornar a disputa mais organizada, deslocando parte da atenção para a definição da segunda vaga. Os dados do segundo voto ajudam a explicar esse desempenho. Além de registrar o maior percentual no primeiro voto (25,3%), Cid também aparece entre os nomes mais citados como segunda opção do eleitor, com 17,8%. O resultado sugere capacidade de diálogo para além de seu núcleo político tradicional e ajuda a explicar sua vantagem no consolidado geral.
Sem Cid, cenário se pulveriza
Quando o senador deixa a disputa, a configuração muda.
No consolidado dos dois votos, Luizianne Lins registra o maior percentual, com 20,5%, seguida de perto por Capitão Wagner, com 19,7%, e por Alcides Fernandes, com 15,8%. A margem de erro mantém os três em situação de empate técnico.
O resultado sugere uma eleição mais aberta, sem um candidato capaz de exercer o mesmo papel aglutinador observado no cenário com Cid.
O peso eleitoral de Luizianne
Um dos números mais expressivos do levantamento aparece no cenário em que o campo governista é representado pelo deputado federal Júnior Mano (PSB).
Nessa hipótese, Luizianne alcança 31% das intenções de voto no primeiro voto, desempenho superior ao dos demais concorrentes. O dado indica a existência de um núcleo eleitoral consolidado em torno de sua candidatura e reforça sua competitividade na disputa.
A distância para os demais concorrentes chama atenção. No mesmo cenário, Capitão Wagner registra 18,2% e Alcides Fernandes, 17% no primeiro voto. Os números sugerem que, sem Cid na disputa, Luizianne concentra a preferência principal de uma parcela expressiva do eleitorado identificado com seu campo político.
Ainda assim, em eleições para o Senado, o desempenho no primeiro voto não é suficiente para definir favoritismo. A soma dos dois votos continua sendo o indicador mais relevante para avaliar as chances reais de cada candidato.
O lugar do segundo voto
Se Luizianne Lins se destaca pela força do primeiro voto, Capitão Wagner apresenta desempenho mais equilibrado entre as duas escolhas permitidas ao eleitor. No cenário sem Cid Gomes, ele lidera o segundo voto com 21,3%, à frente de Alcides Fernandes (14,6%) e da própria Luizianne (9,8%). O dado ajuda a explicar por que Wagner e Luizianne aparecem praticamente empatados no consolidado geral e reforça a importância do segundo voto para a definição das duas vagas ao Senado.
Três campos seguem competitivos
A principal conclusão da pesquisa é que nenhum campo político demonstra força suficiente, neste momento, para monopolizar as duas vagas em disputa. Os números apontam competitividade tanto para candidaturas ligadas ao governo estadual, para a oposição de centro-direita, quanto para o campo conservador.
Os cenários também mostram a presença consistente de Alcides Fernandes, que aparece entre os primeiros colocados em praticamente todos os recortes testados e permanece competitivo na disputa por uma das vagas.
Outro fator que recomenda cautela na análise é a ausência da deputada federal Priscila Costa (PL) entre os nomes testados. A parlamentar é apontada como pré-candidata do PL ao Senado e tem recebido apoio público da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Metodologia
A pesquisa AtlasIntel/Focus ouviu 1.200 eleitores cearenses entre os dias 9 e 15 de junho de 2026. O levantamento possui nível de confiança de 95%, margem de erro de três pontos percentuais e está registrado na Justiça Eleitoral sob o número CE-03465/2026.
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