Clima pré-eleitoral

Flávio Dino alerta para radicalização política após ameaça em aeroporto

Por Julia Fernandes Fraga - Em 18/05/2026 às 6:30 PM

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Ministro do Supremo Tribunal Federal relatou nas redes sociais o ocorrido. Foto: STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino relatou ter sido alvo de hostilidade por parte de uma funcionária de companhia aérea e usou o episódio para fazer um alerta sobre o avanço da radicalização política às vésperas das eleições de 2026, defendendo campanhas de educação cívica dentro de empresas que atuam com atendimento ao público.

O relato foi feito nesta segunda-feira (18), por meio das redes sociais do magistrado. Segundo Dino, a funcionária teria comentado com um agente da polícia judicial que gostaria de “xingá-lo” ao identificar seu nome no cartão de embarque. Em seguida, ainda de acordo com o ministro, ela “corrigiu” a frase e afirmou que seria “melhor matar do que xingar”.

“Como não a conheço, nem ela me conhece, é claro que tais manifestações derivam de minha atuação no STF”, escreveu.

Ambiente pré-eleitoral

Ao comentar o caso, Dino associou a situação ao ambiente de crescente tensão política no país com a aproximação do calendário eleitoral de 2026. Para o integrante da Corte, episódios desse tipo deixam de ser apenas fatos isolados e passam a exigir atenção institucional e preventiva.

“Pode ter sido um ‘caso isolado’. Porém, com o andar do calendário eleitoral, pode não ser. Então é melhor prevenir”, indicou.

O ministro ressaltou ainda que divergências políticas não podem ultrapassar os limites da convivência democrática e atingir relações cotidianas de prestação de serviços.

“Um cidadão não pode ter receio de sofrer uma agressão de um funcionário de uma empresa, ao consumir um serviço ou produto”, pontuou.

Educação cívica e segurança

Na publicação, Dino também defendeu que empresas promovam campanhas internas de educação cívica e convivência institucional entre funcionários, especialmente em setores ligados ao atendimento ao público e à mobilidade.

Segundo ele, o discurso de ódio pode representar riscos não apenas individuais, mas coletivos, inclusive em ambientes considerados sensíveis, como aeroportos e aeronaves.

“Imaginemos que outros funcionários, da mesma ou outra empresa aérea, sejam contaminados com idêntico ódio. Isso pode significar até riscos para segurança de aeroportos e de voos e, por conseguinte, de outros passageiros”, escreveu.

Em nota, Edson Fachin, presidente do STF, manifestou solidariedade ao colega e ressaltou a importância de se reafirmar os valores da civilidade, da tolerância e da paz social. Para o ministro, o Brasil precisa de serenidade, espírito público e compromisso democrático para que as diferenças possam “coexistir dentro dos limites do respeito mútuo e da dignidade humana”.

Episódio anterior

Não é a primeira vez que o ministro relata situações de hostilidade durante viagens. Em setembro do ano passado, Dino afirmou ter sido ofendido por uma passageira em um voo às vésperas do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) relacionado à tentativa de golpe de Estado.

Na ocasião, segundo a assessoria do magistrado, a mulher teria gritado que a aeronave estava “contaminada” e tentado se aproximar do assento do ministro. O caso foi investigado pela Polícia Federal (PF), e a passageira acabou indiciada por injúria qualificada e incitação ao crime.

O novo relato do ministro recoloca no centro do debate o ambiente de radicalização política que começa a cercar a disputa presidencial de 2026 e amplia a preocupação, dentro das instituições, sobre os impactos do discurso de intolerância fora das redes sociais — alcançando espaços públicos, relações de trabalho e situações cotidianas de convivência.

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