Desafios Globais
No G7, Lula defende ação coordenada contra pandemias e crime organizado
Por Julia Fernandes Fraga - Em 16/06/2026 às 5:09 PM

Lula esteve na reunião ampliada do G7 sobre o tema “Firmar novas parcerias e reconstruir a solidariedade internacional”. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Durante sua participação na cúpula do G7, nesta terça-feira (16), realizada em Évian-les-Bains, na França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou uma das principais diretrizes da atual política externa brasileira: a defesa da cooperação internacional associada ao respeito à soberania dos países. Ao longo dos encontros, o presidente levou ao debate temas como segurança sanitária global, combate ao crime organizado transnacional e acesso a tecnologias estratégicas.
Ao lado do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, Lula divulgou uma carta aberta conclamando os líderes das maiores economias do mundo a apoiarem a conclusão do Acordo Global sobre Pandemias. O Brasil preside as negociações do anexo de Acesso a Patógenos e Partilha de Benefícios (PABS), considerado um dos pontos centrais para a implementação do tratado aprovado em 2025.
O documento defende que as lições deixadas pela Covid-19 sejam transformadas em mecanismos permanentes de prevenção e resposta a futuras emergências sanitárias, com regras mais claras para o compartilhamento de informações, vacinas, medicamentos e outras tecnologias de saúde.
Combate ao crime organizado
Durante as discussões do G7, Lula também defendeu uma atuação coordenada contra o narcotráfico e outros crimes transnacionais, como lavagem de dinheiro e tráfico de armas. Segundo o presidente, o espalhamento dessas organizações compromete a segurança pública e retira recursos que poderiam ser destinados a áreas como saúde, educação e infraestrutura.
Ao tratar do tema, diante de líderes como Emmanuel Macron e Donald Trump, Lula voltou a enfatizar que a cooperação internacional deve respeitar a soberania dos Estados. A declaração ocorre em meio às discussões provocadas pela decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações narcoterroristas, medida que reacendeu debates sobre os limites da cooperação internacional em temas de segurança.
Tecnologia e desenvolvimento
O líder brasileiro também defendeu que países detentores de minerais estratégicos participem das etapas de maior valor agregado das cadeias produtivas ligadas à transição energética e digital.
Para Lula, a expansão da inteligência artificial e das novas tecnologias não pode reproduzir desigualdades históricas nem concentrar benefícios econômicos em poucos países.

Além do Brasil, Índia, Quênia, Coreia do Sul, Egito, Catar, Síria, Ucrânia e Emirados Árabes Unidos são as nações convidadas da reunião de 2026. Foto: Ricardo Stuckert/PR
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