Transição Energética
Minerais críticos podem acrescentar R$ 192 bilhões ao PIB brasileiro e criar 750 mil empregos até 2050
Por Redação - Em 06/08/2026 às 12:01 AM

O estudo aponta Pará, Bahia, Goiás, Piauí e Minas Gerais como os principais beneficiados pela expansão da produção FOTO: Gil Leonardi/Agência Minas
O avanço da cadeia de minerais críticos e terras raras pode se transformar em um dos principais motores de crescimento da economia brasileira nas próximas décadas. Um estudo divulgado pela Amcham Brasil estima que o desenvolvimento desse mercado poderá adicionar R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) e gerar 750 mil empregos até 2050, desde que o país consiga ampliar o processamento industrial e atrair investimentos estrangeiros.
Elaborado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com apoio da U.S. Chamber of Commerce e de empresas do setor, o levantamento avalia diferentes estratégias para a exploração de minerais considerados essenciais para a transição energética e a indústria de alta tecnologia.
O estudo compara dois cenários para o desenvolvimento da cadeia mineral brasileira.
No primeiro, os investimentos seriam financiados principalmente por capital nacional, mantendo o país como exportador de matérias-primas com baixo nível de industrialização. Nesse modelo, o impacto econômico seria de R$ 128,7 bilhões no PIB e a criação de 304 mil empregos até 2050.
Já no segundo cenário, considerado mais favorável, o Brasil amplia a participação de investidores internacionais, fortalece o processamento doméstico e passa a utilizar uma parcela maior desses minerais na indústria nacional. Nesse caso, os investimentos cresceriam R$ 120,9 bilhões, elevando o impacto econômico para R$ 192,1 bilhões e a geração de 750 mil postos de trabalho.
Segundo a Amcham Brasil, essa estratégia agregaria R$ 63,4 bilhões adicionais ao PIB em comparação ao primeiro cenário, além de impulsionar o consumo das famílias em R$ 32,3 bilhões, ampliar os investimentos em R$ 16,1 bilhões e criar 446 mil empregos extras.
Estados mineradores concentram ganhos
Os maiores impactos econômicos seriam registrados nos estados com forte atividade mineral. O estudo aponta Pará (16%), Bahia (10,3%), Goiás (10%), Piauí (4%) e Minas Gerais (3,8%) como os principais beneficiados pela expansão da produção.
Ao mesmo tempo, o fortalecimento da etapa de processamento industrial ampliaria os efeitos positivos para estados com maior parque fabril, como Santa Catarina, São Paulo, Paraná e o próprio Minas Gerais, que ganhariam competitividade em setores de maior valor agregado.
Indústria deve ampliar participação
A pesquisa indica que os benefícios vão além da mineração. No cenário de maior industrialização, a indústria de transformação teria crescimento acumulado de 1,8%, enquanto a construção civil avançaria 4,5% e a indústria extrativa, 4,2%.
Entre os segmentos industriais, os maiores ganhos seriam registrados na fabricação de máquinas e equipamentos elétricos, com expansão estimada de 16,7%, seguida por máquinas para extração mineral (9,8%), automóveis (5,5%) e máquinas e equipamentos mecânicos (2,9%).
Insumos estratégicos para a nova economia
O levantamento considera a demanda crescente por cobalto, cobre, grafita, lítio, níquel e terras raras, minerais indispensáveis para a produção de baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e outras tecnologias ligadas à transição energética.
Na avaliação da Amcham Brasil, transformar esses recursos em produtos de maior valor agregado representa uma oportunidade para o país fortalecer sua indústria, ampliar a competitividade internacional e ocupar uma posição estratégica nas cadeias globais de fornecimento de tecnologias limpas.
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