CONEXÃO TERRITORIAL
Ancestralidade em cerâmica traz arte de indígenas Jenipapo Kanindé ao Arvorar
Por Marcelo Cabral - Em 17/08/2026 às 4:57 PM
Arte, ancestralidade e natureza se encontram em uma nova experiência no Parque Arvorar, do Beach Park, em Aquiraz. Em parceria com a Tapera das Artes, o espaço passa a apresentar aos visitantes peças de cerâmica produzidas por mulheres indígenas Jenipapo Kanindé, da Aldeia Lagoa Encantada, ampliando a visibilidade de uma expressão artística que atravessa gerações e mantém uma profunda conexão com o território cearense.

Peças ancestrais de mulheres Jenipapo Kanindé estão expostas no Arvorar Fotos: Divulgação
Instalado logo na entrada do parque, um espaço exclusivo reúne obras disponíveis para aquisição e convida moradores e turistas a conhecerem mais de perto o universo simbólico das artesãs. Moldadas em argila, as peças traduzem memórias, saberes ancestrais e a relação do povo Jenipapo Kanindé com a floresta e os ciclos da natureza.
Produzidas no Ateliê de Cerâmica da ONG Tapera das Artes, as obras são modeladas manualmente e incorporam impressões de folhas, grafismos orgânicos, peixes e outros elementos inspirados na paisagem da Lagoa Encantada. O processo criativo nasce de vivências coletivas e de imersões na mata, nas quais experiências, memórias e referências ancestrais são transformadas em esculturas marcadas por pertencimento e consciência ambiental.
Peças da coleção ‘Encantadas’
As cerâmicas integram a coleção ‘Encantadas’, desenvolvida por 12 mulheres indígenas sob direção artístico-pedagógica da ceramista Denise Saboia. O trabalho já conquistou projeção nacional ao integrar a programação da SP-Arte, uma das principais feiras de arte da América Latina, levando a produção Jenipapo Kanindé a novos públicos e inserindo-a também no circuito contemporâneo das artes.

Trabalhos em Argila são realizados por mulheres indígenas
Mais do que uma vitrine para a produção artesanal, a parceria busca fortalecer a economia criativa da comunidade e contribuir para a autonomia financeira das mulheres indígenas. A presença das obras em um dos principais destinos turísticos do Ceará cria uma nova conexão entre visitantes, território e patrimônio cultural, ao mesmo tempo em que amplia as possibilidades de comercialização do trabalho das artesãs.
Para o parque, a iniciativa se soma à proposta de valorizar não apenas a biodiversidade, mas também as expressões culturais que ajudam a construir a identidade do Ceará. “Receber essas obras no Arvorar significa abrir espaço para que milhares de visitantes conheçam uma produção artística profundamente conectada com a natureza e com a identidade do nosso território. Mais do que comercializar artesanato, queremos contribuir para a valorização dos povos originários, incentivar a geração de renda para essas mulheres e fortalecer uma parceria que traduz perfeitamente os valores do parque: conservação, respeito à vida e conexão com a cultura local“, destaca Leanne Soares, gerente do Arvorar.
Segundo a Tapera das Artes, cada obra preserva uma tradição milenar e expressa uma visão de mundo na qual ser humano e natureza são indissociáveis. Nas cerâmicas, figuras femininas dialogam com árvores nativas, folhas, rios e animais, criando uma narrativa visual que aproxima os ciclos da floresta dos ciclos da própria vida.
Parceria que vai além da cerâmica
A aproximação entre o Parque Arvorar e a comunidade Jenipapo Kanindé também contempla outras ações de valorização cultural e incentivo à produção artesanal. Entre elas está a destinação à Associação das Mulheres Indígenas Jenipapo-Kanindé das penas que caem naturalmente das aves mantidas sob os cuidados do parque.
O material é reaproveitado pelas artesãs na confecção de adornos e outras peças, em uma dinâmica que respeita os ciclos naturais dos animais e contribui para preservar técnicas tradicionais. A iniciativa também amplia as possibilidades de geração de renda e ajuda a manter vivos conhecimentos transmitidos entre gerações.
Ao reunir conservação ambiental, arte e ancestralidade, a parceria estabelece uma ponte entre a experiência turística contemporânea e um patrimônio cultural profundamente ligado à história do Ceará . Além de dar às mulheres Jenipapo Kanindé espaço para apresentar, por meio de sua própria arte, as narrativas de seu povo.
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