POSIÇÃO RELEVANTE

Diretor do MIT inclui o Ceará no radar estratégico global de inovação industrial

Por Marcelo Cabral - Em 16/06/2026 às 1:21 PM

A indústria global está sendo redesenhada por três vetores principais: tecnologia, energia e geopolítica. E regiões fora dos eixos tradicionais começam a ganhar protagonismo nesse novo mapa. Nesse contexto a visita de Yuri Ramos, diretor do Industrial Liaison Program (ILP) do Massachusetts Institute of Technology (MIT), à Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), evidenciou um movimento mais amplo: o Ceará começa a se posicionar como interlocutor relevante nessas agendas.

Yuri Ramos e representantes da Federação, na Casa da Indústria           Foto: George Lucas/Sistema FIEC

Recebido pelo presidente da FIEC, Ricardo Cavalcante, o executivo do MIT destacou a convergência entre as vocações do Estado e os temas que hoje orientam decisões das maiores empresas do mundo. Especialmente nas áreas de transição energética e inteligência artificial (IA).

“O presidente da FIEC deu, sinceramente, uma verdadeira aula, especialmente na questão de energia. Ele mostrou vários cenários globais, comparando Estados Unidos, China, Europa e Brasil. Começamos do macro e depois fomos para o micro, falando do Ceará. É muito impressionante ver o potencial que o Estado tem quando o assunto é energia renovável”, afirmou Yuri.

Mais do que um encontro institucional, a agenda reforça uma relação construída desde 2023, quando o Sistema FIEC se tornou a primeira federação industrial do Brasil a integrar o ILP, programa que conecta empresas e instituições a pesquisas e soluções desenvolvidas pelo MIT. O diferencial dessa parceria está na aplicação prática. Os projetos desenvolvidos em conjunto envolvem áreas como energia, saúde, inteligência artificial, sustentabilidade e educação – sempre com foco na realidade industrial.

Geopolítica global

Ao mesmo tempo, o diálogo incorpora uma variável cada vez mais presente nas decisões corporativas: o ambiente geopolítico global. “Hoje, entre os nossos clientes do MIT e do ILP, muitas empresas estão olhando para questões ligadas à geopolítica. Isso não acontecia há dois ou três anos. O mundo está diferente”, destacou o diretor do MIT. Nesse cenário, a capacidade de antecipar tendências e alinhar estratégias locais a movimentos globais passa a ser determinante.

A criação de novos Institutos Senai de Inovação no Ceará, voltados a temas como transição energética e tecnologias emergentes, surge como um dos sinais mais concretos dessa convergência. “A FIEC foi a primeira federação da indústria do Brasil a se associar ao programa do ILP. Os temas que esses novos Institutos Senai de Inovação irão trabalhar estão super alinhados com tecnologias e desafios que vejo diariamente junto às grandes empresas do mundo. Entre eles, IA e transição energética”, afirmou.

Também participaram do encontro o diretor Financeiro da FIEC, Edgar Gadelha; o diretor Regional do Senai Ceará e superintendente do Sesi Ceará, Paulo André Holanda; a superintendente do IEL Ceará e líder da Transformação Digital do Sistema FIEC, Dana Nunes; o economista-chefe do Sistema FIEC e gerente do Observatório da Indústria Ceará, Guilherme Muchale, além do assessor Econômico da FIEC, Lauro Chaves Neto.

Evento com startups

Diretor do MIT também participou de evento reunindo representantes de startups cearenses                      Foto: Laura Guerreiro/Sistema FIEC

Yuri Ramos também participou do evento Conexão Startups Cearenses e MIT, realizado na manhã de ontem, na Casa da Indústria. A iniciativa promoveu uma aproximação inédita entre empreendedores locais e o instituto tecnológico norte-americano. Startups apoiadas pelos programas de inovação do IEL Ceará e do Senai Ceará apresentaram seus negócios, tecnologias e perspectivas de crescimento.

O diretor do MIT resaltou que o o Industrial Liaison Program foi criado há 78 anos e reúne cerca de 200 parceiros em todo o mundo, entre grandes empresas e organizações como a FIEC, o IEL, o Senai e o Sesi Ceará. “O objetivo dessa parceria é abrir as portas do MIT em áreas como pesquisa, inovação, ciência, engenharia e negócios para os nossos parceiros”, explicou Yuri.

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