Vida extrema

Tubarão com quase 400 anos impressiona cientistas e revela segredos da longevidade no Ártico

Por Suzete Nocrato - Em 12/03/2026 às 1:14 PM

28f51c5c D30d 4dfa 8ed8 8a1f3eba8027

O tubarão-da-Groenlândia possui mecanismos genéticos específicos que favorecem o reparo do DNA. Foto: Reprodução

Nas profundezas do Oceano Ártico, pesquisadores identificaram um exemplar do tubarão-da-Groenlândia, espécie rara de grandes predadores marinhos cuja idade estimada chega a cerca de 399 anos. A descoberta coloca o animal entre os vertebrados mais longevos do planeta e desperta curiosidade sobre os acontecimentos históricos que se desenrolaram ao longo dos quase quatro séculos em que o animal percorre silenciosamente as águas geladas do norte.

O estudo analisou 28 espécimes capturados acidentalmente por pescadores nas águas frias e profundas do Ártico, ambiente conhecido por abrigar espécies altamente adaptadas a condições extremas. De acordo com os dados obtidos, o maior dos animais teria nascido por volta de 1627, período histórico associado ao início da presença colonial europeia nas Américas.

Esses tubarões vivem em profundidades superiores a 2.000 metros, onde a estabilidade ambiental e as baixas temperaturas favorecem um ritmo de vida extremamente lento.

Pesquisas mais recentes indicam que o tubarão-da-Groenlândia possui mecanismos genéticos específicos que favorecem o reparo do DNA, processo que pode retardar o envelhecimento e ajudar o organismo a combater diversas doenças. Esse conjunto de características biológicas contribui para explicar a longevidade excepcional da espécie e reforça o interesse da comunidade científica em compreender os fatores que permitem uma vida tão extensa no ambiente marinho.

Os resultados do estudo foram publicados em 2016 na revista científica Science, que detalhou o método utilizado para estimar a idade dos animais. Os pesquisadores recorreram à datação por radiocarbono nas lentes oculares, tecido que permanece praticamente inalterado desde o nascimento.

Ao comparar os níveis de carbono presentes nessas estruturas com os valores históricos do elemento, a equipe conseguiu estabelecer uma cronologia precisa: a expectativa média de vida do grupo estudado é de 272 anos, enquanto o maior indivíduo analisado, com mais de cinco metros de comprimento, apresentava quase quatro séculos de idade, consolidando o tubarão-da-Groenlândia como o vertebrado com a maior expectativa de vida já registrada pela ciência.

Mais notícias

Ver tudo de IN News