Novo ano

2022, o desafio!

Por Ana Cristina Cavalcante - Última Atualização 11 de janeiro de 2022

O quê será que será?

Em meio a fundamentos econômicos ruins e um recrudescimento da pandemia, 2022 insiste em apresentar-se como o ano da retomada. Os próximos 12 meses estão envoltos em expectativa. No Brasil, em especial, ocorrerão eventos importantes capazes de dinamizar a engrenagem: Copa do Mundo de Futebol e as Eleições. Muitas dúvidas e quase nenhuma certeza giram em torno do ano que começa oficialmente hoje, seu primeiro dia útil. O que se sabe, no entanto, é que nenhuma economia suporta tanto tempo sem movimento. Se não vamos ter uma retomada em V, como sonhou a equipe econômica do governo federal, podemos parar de cair. Se a inflação permanece, os preços podem subir mais devagar. Se o desemprego ainda é na casa dos milhões, alguns milhares de postos de trabalho podem surgir. É preciso mudar a chave. Porque a economia se dá no espaço entre aquela expectativa citada na abertura deste comentário e a ação das pessoas. Sim! Existe um efeito psicológico a ser calculado junto com as matrizes matemáticas. Estamos falando de uma ciência humana que existe para ajudar a sociedade a gerir seus recursos finitos e insuficientes até em tempos de abundância. Numa crise longa como a que vivemos, o poder dos humores é multiplicado por 100. Transformar a esperança de todo começo em confiança é o grande desafio que o Ano Novo nos impõe.

 

Onde estão os empregos?

Mercado de trabalho exige novas habilidades/Foto: Getty Images

O mercado de trabalho geralmente é o último a se recuperar de crises.  No nosso país, a taxa de desemprego recuou de 13,4% para 12,6% em novembro. Representa mais de 13,4 milhões de pessoas em busca de recolocação. Não estão incluídos nessa conta os desalentados que, em algum momento, vão voltar a procurar novas chances. O Produto Interno Bruto (PIB) teve um recuo discreto, de 0,1% no terceiro trimestre de 2021 na comparação com o segundo trimestre deste ano, o que representa o segundo trimestre consecutivo de estabilidade. Em valores correntes, o PIB ronda os  R$ 2,2 trilhões. Em um cenário tão árido, onde procurar emprego? Primeiro, não se pode mais pensar em emprego. E, sim, em trabalho. A pandemia acelerou um processo que já havia começado no mundo. E, no Brasil, a partir da reforma trabalhista do Governo Temer, ganhou rapidez. O mercado de trabalho mudou. O Infomoney fez um levantamento sobre as profissões e/ou segmentos que podem gerar trabalho no país em 2022. Foram entrevistados mais de 300 executivos e 1.000 funcionários de todo o Brasil. As vagas estão, pela ordem, em tecnologia, recursos humanos, marketing e vendas, finanças, diversidade, saúde, requalificação e novas habilidades.

 

Quais são as novas habilidades?

 

De acordo com o levantamento, algumas novas habilidades estão em destaque. As mais citadas foram: capacidade de adaptação para enxergar as mudanças como algo positivo e portas de entrada para novas oportunidades; resiliência para manter o foco em como fazer o seu melhor trabalho, apesar das circunstâncias. Além de capacidade de aprendizagem constante; e empatia que é a capacidade de colocar-se  no lugar do outro e entender a  sua realidade. “A soma dessas competências vai favorecer a performance do profissional em qualquer nível, atividade e setor. As soft skills são urgentes, cada vez mais serão diferenciais”, avalia Lucas Thomaz, gerente da consultoria Korn Ferry.

 

Desengavetou projetos?

 

Leonardo Berto, gerente de recrutamento da empresa Robert Half considera 2022  o ano de consolidação da retomada econômica, sim. Com um mercado de trabalho mais aquecido. Para ele, 2021 foi um período de “desengavetamento de projetos”. Até em função da necessidade de as pessoas gerarem renda depois de perderem seus empregos ou negócios. “Para 2022 podemos esperar que posições que foram desligadas devido à pandemia sejam retomadas, especialmente contratações para vagas relacionadas ao crescimento da empresa, profissionais que ajudem na geração de receita de diversas formas e ângulos”, diz.

 

E a diversidade?

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Gina Abercrombie-Winstanley/Foto: Divulgação

Por falar em novos setores e possibilidades de trabalho, a diversidade é colocada no topo da lista de espaços de demanda por profissionais. E numa coincidência providencial, a chefe de Diversidade e Inclusão do Departamento de Estado do Governo Joe Biden, Gina Abercrombie-Winstanley, esteve em São Paulo em dezembro. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Winstanley , publicada hoje, ela observa: “Notei que a maioria das pessoas que vi era branca. E sabendo que a população é próxima dos 50% – 50% entre negros e brancos, me questionei: onde estão os negros?”. Na agenda, a diplomata norte-americana visitou uma exposição sobre Carolina Maria de Jesus, no Instituto Moreira Salles, a qual classificou de “fascinante”. Carolina escreveu poemas, contou histórias, conseguiu ser reconhecida. Publicou “Quarto de Despejo” em que narra suas dificuldades para viver como mulher negra e favelada. Uma entre tantas brasileiras e brasileiros que têm sonhos que nem sempre conseguem realizar. Carolina realizou o seu.

 

Como será o amanhã?

 

Perguntas à espera de respostas/Foto: Divulgação

 

A primeira coluna do ano veio repleta de perguntas que só poderão ser respondidas à medida em que a economia continue dando seus sinais. Até aqui, a perspectiva é de alguma recuperação. Porém lenta e insuficiente para tirar o Brasil da bacia das almas. Essa é uma expressão muito utilizada no jargão do mercado financeiro para dizer que uma empresa vai mal. É a situação do país. O que virá amanhã, não sabemos. Mas esperamos que o rito econômico siga a tradição que sempre traz bonança após grandes tempestades. Feliz Ano Novo!

 

 

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