Imob Report

Mercado imobiliário

Por Ana Cristina Cavalcante - Última Atualização 11 de janeiro de 2022

Crise? Que crise?

O mercado imobiliário é um dos poucos segmentos da economia que não paralisaram com a estagnação dos últimos dois anos. De acordo com alguns dos maiores executivos, diretores e donos de empresas, o período foi de crescimento e a tendência está mantida. As informações são da Imob Report, plataforma de análise e informações sobre o mercado imobiliário; do instituto de pesquisa Brain Inteligência; e da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). O pulo do gato que garantiu o desempenho foi observar que as pessoas demandam duas coisas: saúde e bem-estar. Lugares com áreas mais amplas, iluminadas e arejadas, por um lado. E mais espaço, conforto e adequação ao trabalho remoto, por outro. O movimento está em todas as faixas de preço. Mas, obviamente, vai aumentando à medida em que os valores cobrados pelas unidades também vão ficando mais caros. Eis a fórmula do sucesso. Manter o olho nas intenções e disposição de possíveis compradores.

O viés é de alta!

Cyro Naufel Diretor Institucional Da Lopes

Cyro Naufel, diretor Institucional da Lopes/Foto: Divulgação

As apostas são de uma boa resposta do mercado imobiliário em 2022 na Lopes, gigante nacional da incorporação de imóveis. De acordo com o seu diretor institucional, Cyro Naufel, o cenário parte de um patamar estável e pode avançar. “Acreditamos numa tendência de estabilidade nos números em comparação a 2021, com possíveis variações. Isto mantém a atividade imobiliária num nível bastante positivo, face ao crescimento apresentado nos últimos anos”, avalia Naufel. Ou seja, os negócios da Lopes tendem a crescer sobre uma base já elevada.

Conforto para quem está em casa.

O CEO da One Imóveis de Luxo, Cristiano Cruz, confirma: em estratégia que está funcionando, não se mexe. A empresa manterá o foco na oferta de imóveis mais confortáveis e que possibilitem uma vida saudável para os clientes. “Os lançamentos imobiliários apoiam mudanças comportamentais e encorajam um estilo de vida ativo, com mais bem-estar físico e psicológico. Temos visto lançamentos imobiliários focados em espaços amplos, áreas arborizadas com paisagismo, grandes varandas, projetos que priorizam a entrada solar, ventilação. O espaço fitness também não pode faltar”, sugere o empresário.

Ano bom para quem?

Cada vez mais o mercado exige de seus atores uma percepção aguçada e um poder de observação constante. É esta a estratégia da Abreu Imóveis, segundo o seu sócio-diretor Ricardo Abreu. “Acredito que este será um ano muito bom em venda de produtos específicos. Falo do Nordeste e, na nossa região, não tivemos muitos lançamentos durante a pandemia. Isso faz com que a chegada de novos empreendimentos aqueça o mercado. Há muita demanda represada. Recentemente, visitei Fortaleza, Recife e João Pessoa. Encontrei o mesmo cenário de muito otimismo para 2022”, revela Abreu.

Dez anos em dois!

O mercado de imóveis pode comemorar. É a avaliação do presidente e CEO da RE/Max Brasil, Peixoto Accyoli. “Se  os índices macroeconômicos, com alta de inflação e juros, não animam ninguém, posso dizer que o mercado imobiliário em dois anos de pandemia avançou dez. Este período de distanciamento social acelerou mudanças, tornou todo o segmento mais ágil, mais moderno e mais digital”, destaca Accyoli. O exemplo deste ramo que, junto com a construção civil, é um dos motores da economia nacional, prova que é possível, sim, crescer em períodos de crise. Só precisa sagacidade para perceber as oportunidades que pairam no ar e no comportamento dos consumidores.

Peixoto Accyoli Re Max Divulgação

Peixoto Accyoli da RE/Max / Foto: Divulgação

Sim… mas tem um paradoxo!

A gerente de Marketing da Crédito Real, Raquel Trevisan, projeta 2022 como um ano paradoxal. “Estaremos mais livres, com a pandemia indo embora e a vida começando a voltar ao normal. Isto faz com que as pessoas fiquem mais otimistas e gere aquecimento na economia. Em contrapartida, será um ano exigente para o mercado imobiliário com a Selic aumentando, eleições, desemprego ainda muito alto. Vejo 2022 como um ano de muito trabalho e investimento. É hora de colocarmos em prática tudo o quê aprendemos com a pandemia”, arrematou Trevisan.

Em Fortaleza, qual o movimento?

Quem mora na capital cearense e passeia pelas ruas de suas áreas nobres se vê cercado por obras de novos empreendimentos, sejam imóveis residenciais ou comerciais. Os condomínios de alto luxo seguem sendo construídos em bairros como Meireles e Dionísio Torres, em toda a região do Guararapes e nas Dunas. É que o mercado de luxo não sofre com crises de qualquer espécie. São edifícios gigantes com apartamentos entre 700 e 900 metros quadrados distribuídos em até 40 andares. Um oásis no meio de uma capital marcada por profundas desigualdades. E la nave vá

Nordeste é carro-chefe.

O desempenho do Nordeste é retratado por pesquisa feita em parceria da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) com a Brain Inteligência. De acordo com o levantamento, a intenção de compras no mercado nordestino alcançou a liderança nacional durante o período da pandemia. E mesmo num cenário de inflação e juros em alta, o viés segue em alta para 2022. Representantes de grandes incorporadoras da Região, como Diagonal, Moura Dubeux, Jotanunes Construtora e Direcional confirmam a  expectativa, segundo a Brain.

É preciso adaptar.

Adriano Nobre Direcional Erica Ribeiro

Adriano Nobre, da Direcional . Foto/Erica Ribeiro

O diretor de Incorporação da Direcional Engenharia, Adriano Nobre, também alerta para as condições macroeconômicas, como inflação e juros. Mas vê saídas eficientes. “Temos que adaptar os produtos ao cenário de preços que está em novo patamar”. Para 2022, a Direcional mantém os lançamentos, inclusive os de baixa e média rendas e os de programas governamentais. Segundo o executivo também há oportunidades de lançamentos pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo. “É uma possibilidade que usa os rendimentos da caderneta de poupança para emprestar recursos financeiros para quem quer comprar imóveis”, diz. E reforça: “Seguimos apostando também no alto padrão”.

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