COMÉRCIO EXTERIOR
Agro brasileiro exporta US$ 16,3 bilhões em julho e alcança recorde no mês
Por Redação - Em 14/08/2026 às 2:43 PM

Entre janeiro e julho, as exportações in natura alcançaram o recorde de US$ 10,5 bilhões, crescimento de 30,1% FOTO: Agência Brasil
O agronegócio brasileiro movimentou US$ 16,34 bilhões em exportações em julho de 2026, o maior valor já registrado para o mês. O resultado representa crescimento de 5,4% sobre os US$ 15,50 bilhões alcançados em julho do ano passado e colocou o setor como responsável por 47,9% de todas as vendas externas do Brasil no período, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
No acumulado de janeiro a julho, as exportações do agro chegaram a US$ 103,4 bilhões, avanço de 6% em relação ao mesmo intervalo de 2025 e novo recorde para os sete primeiros meses do ano. A soja em grãos acrescentou US$ 4,7 bilhões às vendas externas na comparação anual, enquanto a carne bovina in natura respondeu por incremento de US$ 2,4 bilhões.
O resultado evidencia um movimento que vai além das cotações internacionais. Mesmo com preços e embarques menores em cadeias relevantes, como café e açúcar, o aumento dos volumes comercializados de outros produtos sustentou o avanço das receitas brasileiras.
Soja movimenta US$ 7,15 bilhões
O complexo soja permaneceu como principal força da pauta exportadora, com US$ 7,15 bilhões negociados em julho, crescimento de 22,4%. Somente a soja em grãos respondeu por US$ 5,87 bilhões, alta de 17,4%, com embarques recordes de 13,4 milhões de toneladas.
O preço médio do grão avançou 7,4%, para US$ 438 por tonelada. A China absorveu 70% das exportações brasileiras de soja, movimentando US$ 4,11 bilhões. Também houve expansão das vendas para União Europeia, México e Irã.
Os derivados também ganharam espaço. As exportações de óleo de soja bruto atingiram US$ 370,24 milhões, salto de 184,3% em relação a julho de 2025. Em volume, foram 309,05 mil toneladas, crescimento de 143,5%. A Índia concentrou 87,3% dos embarques brasileiros.
O farelo de soja, por sua vez, alcançou 2,42 milhões de toneladas, alta de 17,6% e recorde em volume. A receita chegou a US$ 891,09 milhões, 28,6% acima da registrada um ano antes.
Celulose supera US$ 1 bilhão
Entre os produtos florestais, a celulose estabeleceu um recorde para qualquer mês da série histórica. As vendas externas somaram US$ 1,06 bilhão em julho, avanço de 30,8%, com 1,97 milhão de toneladas embarcadas.
Nesse caso, o preço teve papel decisivo: a cotação média avançou 27,1%. A China recebeu 42,6% das cargas, equivalentes a US$ 452,47 milhões.
A carne de frango também alcançou a maior receita já registrada para um mês de julho, com US$ 876,17 milhões, crescimento de 33,9%. O Brasil exportou 430,74 mil toneladas da proteína, 24,9% a mais que no mesmo período de 2025.
Carne bovina acumula US$ 10,5 bilhões
Apesar de uma desaceleração específica em julho, a carne bovina mantém desempenho expressivo no acumulado de 2026. Entre janeiro e julho, as exportações in natura alcançaram o recorde de US$ 10,5 bilhões, crescimento de 30,1%, enquanto o volume avançou 10,2%, para 1,7 milhão de toneladas.
O algodão não cardado nem penteado também estabeleceu máxima, com US$ 3,1 bilhões em receitas e 2 milhões de toneladas comercializadas no período. Os valores representam altas de 13,6% e 21,5%, respectivamente. As vendas de bovinos vivos chegaram a US$ 932,3 milhões, expansão de 74%.
Café e açúcar perdem espaço em julho
Nem todas as cadeias acompanharam o avanço. As exportações de açúcar de cana bruto recuaram 32,6% em valor, para US$ 849,61 milhões. O volume diminuiu 19,2%, para 2,53 milhões de toneladas.
No café verde, a receita ficou em US$ 815,92 milhões, redução de 21,8%. O Brasil embarcou 153,24 mil toneladas, 4,8% menos, enquanto o preço médio recuou 17,8%.
A carne bovina in natura também apresentou retração mensal de 5,8%, para US$ 1,45 bilhão, diante de uma redução de 17,7% nos embarques. A queda de 39,6% nas compras chinesas pesou sobre o resultado de julho.
China responde por mais de um terço das vendas
A China manteve ampla liderança entre os destinos do agro brasileiro. O país comprou US$ 5,64 bilhões em produtos em julho, equivalentes a 34,5% das exportações do setor. Nos sete primeiros meses de 2026, as vendas ao mercado chinês alcançaram US$ 36,2 bilhões, alta de 8,9%.
A União Europeia aparece na segunda posição, com US$ 2,4 bilhões em julho e US$ 15 bilhões no acumulado do ano.
Já os Estados Unidos reduziram em 12,1% as compras de produtos brasileiros do agronegócio em julho, para US$ 944,49 milhões. Entre janeiro e julho, a retração chega a 23,3%, influenciada principalmente pela redução das vendas de café verde, suco de laranja e sebo bovino.
Os números de julho reforçam o peso do campo na balança comercial brasileira: além de responder por quase metade das exportações do país no mês, o agronegócio superou US$ 100 bilhões em vendas externas antes de completar oito meses de 2026, sustentado pela combinação de escala produtiva, aumento dos embarques e diversificação dos mercados compradores.
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