MINERAIS CRÍTICOS
Brasil mapeia terras raras e se posiciona na disputa global por cadeia industrial
Por Marcelo Cabral - Em 04/07/2026 às 3:30 PM
O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), lançou o estudo ‘Terras raras no Brasil: Estado da arte, cenários e um mapa do caminho estratégico para 2026-2040’. O documento projeta o posicionamento do País na cadeia global de minerais críticos nas próximas décadas.

Exploração de terras raras deve agregar valor e gerar desenvolvimento industrial Foto: Divulgação
A publicação reúne contribuições de pesquisadores, engenheiros e professores universitários e apresenta cenários nacionais e internacionais sobre a exploração e industrialização dos chamados elementos de terras raras – insumos essenciais para setores de alta tecnologia como veículos elétricos, turbinas eólicas, smartphones e sistemas de defesa.
O estudo também mapeia reservas minerais no território brasileiro, com destaque para regiões da Amazônia, e propõe cenários de cooperação internacional e atração de capital multilateral para o desenvolvimento da cadeia produtiva.
Diálogos institucionais
Apresentado durante o VII Seminário Brasileiro de Terras Raras, no Rio de Janeiro, o material dialoga diretamente com instituições como o Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), além do Ministério de Minas e Energia (MME).
Os 17 elementos classificados como terras raras são considerados estratégicos para a economia global, sobretudo em um contexto de transição energética e digitalização industrial, com forte dependência de cadeias produtivas concentradas em poucos países.
O diretor-presidente do CGEE, Anderson Gomes, sintetiza o desafio brasileiro como uma escolha de modelo econômico. “Nós temos as terras raras. Não precisamos de ninguém para dizer o que vamos fazer”. E acrescenta que o País precisa decidir entre permanecer como exportador de commodities minerais ou avançar para a industrialização da cadeia, agregando valor por meio da produção de componentes e equipamentos tecnológicos.
O estudo também aponta a necessidade de política industrial estruturada, investimentos em formação técnica e ampliação da base científica nacional. Nesse contexto, universidades brasileiras já iniciam movimentos de capacitação específica, como a criação de programas de pós-graduação voltados ao setor.
O debate ganha ainda dimensão legislativa com o Projeto de Lei 2780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) e cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), atualmente em tramitação no Senado Federal.
Mais do que um diagnóstico técnico, o estudo reposiciona as terras raras como ativo estratégico de soberania econômica, inserindo o Brasil em uma disputa global que envolve tecnologia, energia, defesa e controle de cadeias industriais críticas. (Com informações da Agência Brasil)
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