COMÉRCIO GLOBAL

Brasil pode alcançar US$ 180 bilhões em exportações agrícolas e superar os EUA em 2026

Por Redação - Em 10/08/2026 às 12:01 AM

Colheita De Soja. Foto: Wenderson Araujo/trilux

País ficou apenas US$ 2 bilhões atrás dos americanos em 2025 e amplia participação em mercados estratégicos, com destaque para soja, carnes, café e açúcar FOTO: Wenderson Araújo/Trilux

O Brasil pode encerrar 2026 como o maior exportador agrícola do mundo, ultrapassando os Estados Unidos em uma disputa que envolve uma diferença de poucos bilhões de dólares. Mantido o atual ritmo das vendas externas, os embarques brasileiros podem alcançar US$ 180 bilhões neste ano, enquanto a projeção para os Estados Unidos é de US$ 177,5 bilhões.

A aproximação entre os dois países já ficou evidente em 2025. Naquele ano, as exportações agrícolas americanas chegaram a US$ 171 bilhões, apenas US$ 2 bilhões acima do resultado brasileiro considerado no levantamento.

Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram, por outro recorte metodológico, a dimensão da participação do setor na economia brasileira. As exportações do agronegócio atingiram o recorde de US$ 169,2 bilhões em 2025, avanço de 3% sobre os US$ 164,3 bilhões do ano anterior. O setor respondeu por 48,5% de todas as vendas brasileiras ao exterior e gerou superávit comercial de US$ 149,07 bilhões.

O desempenho foi sustentado principalmente pelo crescimento das quantidades embarcadas. Segundo o Mapa, o volume exportado pelo agronegócio avançou 3,6% em 2025, enquanto os preços médios dos produtos recuaram 0,6%.

China amplia peso nas exportações

A China ocupa posição central no avanço brasileiro no comércio agrícola internacional. O país asiático tem cerca de um quinto da população mundial, mas menos de 10% das terras agricultáveis e registra déficit comercial agrícola estimado em US$ 125 bilhões.

A dependência chinesa de produtos importados é particularmente elevada em algumas commodities. Aproximadamente 80% da soja consumida pela China vem do exterior, e o Brasil responde por cerca de 70% dessas compras internacionais. Na carne bovina, aproximadamente metade das importações chinesas tem origem brasileira.

Somente no primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para o mercado chinês alcançaram US$ 58 bilhões, crescimento de quase 20% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O avanço ganhou impulso a partir de 2018, quando as disputas comerciais entre Estados Unidos e China levaram Pequim a buscar alternativas aos fornecedores americanos. Nesse período, o Brasil ampliou sua participação em diferentes mercados e consolidou posições de liderança nas exportações de produtos como soja, café, açúcar e carne bovina, além de aumentar a competição com os Estados Unidos em milho e algodão.

Produtividade

A competitividade brasileira também está relacionada aos ganhos de produtividade acumulados nas últimas décadas. Investimentos em pesquisa, desenvolvimento de variedades adaptadas ao clima tropical, correção de solos e novas técnicas de manejo ampliaram a capacidade produtiva do país.

Em determinadas regiões, sistemas que combinam culturas como soja, milho e algodão com pecuária permitem realizar até três safras por ano na mesma propriedade, uma vantagem produtiva difícil de reproduzir em países de clima temperado.

Enquanto o Brasil amplia sua presença internacional, produtores americanos enfrentam um ambiente mais pressionado. Estimativas da American Farm Bureau Federation apontam que as principais culturas agrícolas dos Estados Unidos podem acumular US$ 32 bilhões em perdas em 2026. As vendas americanas de soja para a China chegaram a recuar 40%, segundo os dados apresentados pela reportagem.

Desafio

Apesar da possibilidade de alcançar a liderança mundial, os números também revelam uma diferença relevante na composição das exportações dos dois países. Nos Estados Unidos, produtos como alimentos processados, bebidas, frutas e vegetais representam 38% das exportações agrícolas. No Brasil, essa participação é de apenas 7%.

A pauta brasileira também permanece concentrada. Soja e carnes respondem juntas por cerca de 40% das vendas externas do setor, ao mesmo tempo em que a China mantém ampla participação entre os destinos dos produtos nacionais.

Os dados indicam, portanto, que o avanço do Brasil no ranking global não encerra o desafio de expansão do agronegócio. Além de aumentar volumes e diversificar mercados, uma das principais oportunidades está na ampliação da participação de produtos industrializados e de maior valor agregado nas exportações. A eventual liderança mundial em 2026 colocaria o país diante de uma nova etapa: transformar sua escala de produção também em maior geração de valor no comércio internacional.

Mais notícias

Ver tudo de IN Business