COMÉRCIO GLOBAL
Canal do Panamá lucra com guerra no Irã e vira rota-chave para abastecer a Ásia
Por REDAÇÃO - Em 26/05/2026 às 9:27 AM

Aumento das tensões no Oriente Médio altera rotas marítimas e eleva demanda por travessias no Canal do Panamá — Foto: divulgação
O agravamento da guerra no Irã e o fechamento do estreito de Ormuz estão redesenhando as rotas do comércio marítimo mundial e transformando o Canal do Panamá em uma alternativa estratégica para o transporte de petróleo, gás e cargas rumo à Ásia. O aumento da demanda já elevou o tráfego de navios e impulsionou as receitas da hidrovia panamenha.
Segundo a consultoria Maritime & Logistics Consulting Group, a insegurança no Oriente Médio obrigou companhias marítimas a redirecionarem embarcações para trajetos considerados mais seguros. “O conflito e a insegurança em Ormuz obrigaram o desvio de rotas e a busca por alternativas seguras”, afirmou Eduardo Lugo, presidente da consultoria.
Com isso, o tráfego no Canal do Panamá cresceu cerca de 11% desde o início do conflito, chegando a registrar picos de até 20% em determinados dias, de acordo com a Autoridade do Canal. O aumento da procura também pressionou os preços de travessia. Em alguns casos, embarcações chegaram a pagar até US$ 4 milhões para atravessar a hidrovia panamenha.
A corrida pelas rotas alternativas ocorre em meio à escalada da demanda energética asiática. Navios carregados com petróleo americano e gás natural liquefeito passaram a ocupar espaço antes dominado por porta-contêineres e cargueiros de grãos. “A energia proveniente dos Estados Unidos está substituindo os volumes que antes eram enviados para a Ásia a partir de cargas vindas do Golfo”, explicou Marc Gilbert, líder global do Centro de Geopolítica do Boston Consulting Group (BCG).
Logística mais cara
O especialista ressalta, porém, que a nova rota também encarece a logística global. Isso porque o trajeto pelos Estados Unidos até a Ásia é mais longo, os pedágios do canal são elevados e os atrasos nas eclusas ampliam os custos operacionais das empresas marítimas.
Além de ganhar relevância estratégica, o canal pode ampliar sua contribuição para a economia panamenha. O diretor financeiro da Autoridade do Canal do Panamá, Víctor Vial, afirmou que o crescimento das receitas pode variar entre 10% e 15%, dependendo da duração da crise no Oriente Médio. “As coisas mudam muito rápido”, ponderou o executivo ao comentar a imprevisibilidade do cenário internacional.
Atualmente, cerca de 3% de todo o comércio marítimo global passa pela estrutura que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico. Em 2025, o Canal do Panamá gerou receitas de aproximadamente US$ 5,7 bilhões, sendo cerca de US$ 3 bilhões transferidos diretamente aos cofres públicos do país.
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