LIDERANÇA ESTRATÉGICA

Carla Pontes assume como CEO do Grupo Marquise em área ainda muito masculina

Por Marcelo Cabral - Em 07/03/2026 às 12:12 AM

Em um setor onde apenas 6% das 250 maiores empresas brasileiras são lideradas por mulheres, a chegada da administradora Carla Pontes como CEO do Grupo Marquise simboliza o avanço feminino em áreas historicamente dominadas por homens, como engenharia, infraestrutura e construção pesada. Um estudo da Bain & Company, revela que a presença feminina em cargos executivos chegou a cerca de 34%, mas o topo da hierarquia corporativa permanece predominantemente masculino.

Carla Pontes chegou ao posto de CEO do Grupo Marquise em gestão coparticipada         Foto: Divulgação

Carla Pontes – que fará a gestão coparticipada com Paulo Marcelo Braga de Santana -,  acaba de assumir a liderança de um dos principais conglomerados do País, com atuação em áreas estratégicas como infraestrutura, soluções e serviços ambientais. Ela será mais uma líder feminina a ocupar um lugar no cenário eminentemente masculino. Um boa notícia às vésperas do Dia Internacional da Mulher, que é celebrado em 8 de março.

Formada em Administração pela FGV-SP e com mestrado pela Harvard Business School, a executiva iniciou sua carreira no setor financeiro, com passagens por Santander e Ernst & Young. No Grupo Marquise, atuou na controladoria, direção da sede administrativa do Grupo e no Conselho de Administração, além de liderar operações em varejo e comunicação. Fora da atuação no Grupo Marquise, fundou uma fintech de crédito – um negócio próprio, desenvolvido a partir de sua expertise em mercado financeiro.

A transição para o topo da liderança ocorre em um cenário de retomada dos investimentos estruturantes no Brasil. O Novo PAC prevê R$ 1,3 trilhão para áreas como saneamento, logística, energia e mobilidade – segmentos tradicionalmente associados à liderança masculina nos quais o Grupo Marquise tem tradição.

Atuação em nível nacional

Carla Pontes e Paulo Marcelo Santana dividem a função de CEO

A ascensão de Carla Pontes ao cargo de CEO ocorreu após os acionistas fundadores passarem a atuar no Conselho de Administração, em sintonia com a nova visão do Grupo Marquise, de apostar em uma liderança feminina preparada para o processo de expansão dos negócios. Tudo isso, em um momento de grandes investimentos públicos e privados em infraestrutura, saneamento, coleta e destinação de resíduos sólidos, além de empreendimentos imobiliários do País.

Os números do grupo reforçam essa diretriz. Segundo o Relatório de Impacto Socioambiental 2025, 49% dos cargos de gestão na sede administrativa são ocupados por mulheres; no conjunto das unidades de negócio, o índice é de 31%. A política interna de formação de lideranças inclui expoentes como a executiva Suzana Marinho, à frente da GNR Fortaleza, planta de biometano do grupo – referência nacional na produção e injeção de gás renovável na rede de distribuição de gás do Ceará, sendo responsável pela produção de 31% do biometano do País, conforme dados da ANP.

Atualmente o Grupo Marquise lidera obras consideradas estratégicas, como lotes da Ferrovia Transnordestina, no Nordeste, e as barragens de Pedreira e Duas Pontes, em São Paulo, iniciativas associadas à logística e à segurança hídrica. Na área ambiental, o grupo atende cerca de 23 milhões de pessoas com serviços de coleta e destinação de resíduos por diversas cidades do Brasil.

Segundo a executiva, a presença feminina em posições de decisão amplia a capacidade analítica das organizações e qualifica escolhas estratégicas. “Estamos falando de setores que moldam o desenvolvimento do País e exigem decisões técnicas, visão de longo prazo e capacidade de execução. Diversidade, nesse ambiente, não é discurso – é ativo de governança. O desafio é estruturar uma liderança preparada para decisões complexas, combinando análise rigorosa, leitura de cenário e responsabilidade na alocação de capital”, completa Carla Pontes.

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