Agronegócio
Crédito rural pode atingir R$ 570 bilhões na safra 2026/27, com juros abaixo de 10%
Por Redação - Em 16/06/2026 às 3:20 PM

Entidades representativas do agronegócio defendem um volume ainda maior de recursos para a próxima safra FOTO: CNA
O governo federal negocia os detalhes do Plano Safra 2026/27 com a meta de disponibilizar cerca de R$ 570 bilhões em crédito para o setor agropecuário, ao mesmo tempo em que busca manter as taxas de juros em patamares inferiores a dois dígitos. A proposta está em discussão entre os ministérios da Agricultura e da Fazenda e deve ser anunciada oficialmente no início de julho.
Caso seja confirmado, o montante representará um novo recorde para o programa de financiamento rural. O valor supera os R$ 516,2 bilhões destinados à agricultura empresarial no Plano Safra 2025/26 e reforça a estratégia do governo de ampliar o acesso ao crédito em um momento marcado por desafios financeiros para os produtores.
Um dos principais pontos das negociações é a definição dos juros subsidiados. Integrantes do governo defendem taxas abaixo de 10% ao ano para reduzir os impactos do elevado custo financeiro enfrentado pelo campo. A preocupação é garantir que os recursos anunciados sejam efetivamente acessíveis aos produtores rurais, especialmente diante do aumento do endividamento e da pressão sobre as margens de lucro.
O cenário econômico, entretanto, impõe dificuldades. A manutenção da taxa Selic em níveis elevados aumenta os gastos do Tesouro Nacional com a equalização dos juros, mecanismo que permite oferecer financiamentos mais baratos ao setor. Além disso, fatores como oscilações climáticas, preços internacionais das commodities e restrições fiscais tornam a elaboração do programa mais complexa neste ano.
Entidades representativas do agronegócio defendem um volume ainda maior de recursos para a próxima safra. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou propostas que ultrapassam R$ 600 bilhões, argumentando que a demanda por crédito cresce em razão dos custos de produção mais elevados e da necessidade de investimentos em tecnologia, armazenagem e sustentabilidade.
Além do crédito de custeio, o governo também avalia ampliar linhas destinadas à modernização de máquinas e equipamentos agrícolas. A intenção é estimular ganhos de produtividade e fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro, setor responsável por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) do país e por parcela significativa das exportações nacionais.
A expectativa do mercado é que o novo Plano Safra mantenha o foco na ampliação do financiamento, no fortalecimento do seguro rural e na oferta de condições que permitam aos produtores enfrentar um ambiente econômico ainda desafiador.
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