EQUIPAMENTO DA MARQUISE
EcoHub Sol Nascente transforma gestão de resíduos em forte ativo ambiental
Por Marcelo Cabral - Em 29/06/2026 às 2:29 AM
A gestão de resíduos sólidos na Região Metropolitana de Fortaleza entra em uma nova era, na qual o descarte deixa de representar um problema para se converter em ativo estratégico. À frente desse movimento está o EcoHub Sol Nascente, operado pela Marquise Ambiental, um complexo de alta tecnologia que consolida o grupo entre os principais players do setor no Brasil.

EcoHub converte materiais descartados em produtos de valor agregado Fotos: Divulgação
Concebido como um hub ambiental integrado, o empreendimento vai além da destinação final de resíduos. Sua proposta é transformar materiais descartados em novos insumos, água de reúso e energia, alinhando eficiência operacional à lógica da economia circular – um modelo que ganha relevância diante dos desafios crescentes da gestão urbana e ambiental no País.
“Cada novo território em que passamos a atuar confirma a premissa que orienta a nossa expansão: soluções ambientais duradouras são ancoradas em capacidade técnica, escala operacional e investimento consistente. É o que nos permite converter um passivo em ativo ambiental”, afirma a empresária Carla Pontes, CEO do Grupo Marquise.
Instalado em uma área de 163 hectares, o EcoHub foi dimensionado para atender, ao longo de sua vida útil, a demanda da Região Metropolitana de Fortaleza. Atualmente, o complexo já recebe resíduos de municípios como Aquiraz, Eusébio e Guaiúba, enquanto avança em negociações para ampliar sua atuação a outras cidades da região – característica que o posiciona como um equipamento de escala metropolitana.

Infraestrutura ocupa uma área de 163 hectares situada na Região Metropolitana de Fortaleza
A infraestrutura incorpora soluções de engenharia de última geração, com sistemas de monitoramento ambiental contínuo, impermeabilização do solo e tratamento de chorume por osmose reversa – tecnologia que permite recuperar o efluente e reinserir água de reúso no ciclo produtivo. O projeto contempla, ainda, iniciativas voltadas ao aproveitamento energético, como a produção de biometano, e uma planta de compostagem que amplia o potencial de valorização dos resíduos orgânicos.
Cenário desafiador
O avanço ocorre em um cenário nacional desafiador. Em 2024, o Brasil gerou 81,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos, segundo dados da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), sendo que cerca de 34% ainda tiveram destinação inadequada em lixões ou aterros controlados. No Nordeste, que responde por 24,7% da geração total, os índices de coleta e destinação ainda revelam desigualdades estruturais em relação a outras regiões do país.
No Ceará, o quadro evidencia essa disparidade. Em 2025, apenas 18,48% dos municípios contavam com destinação final de resíduos adequada, concentrando o atendimento em áreas mais urbanizadas. Embora cerca de 43% da população já esteja coberta por sistemas adequados, a infraestrutura ainda é limitada frente à demanda estadual.
Para Hugo Nery, diretor-presidente da Marquise Ambiental e conselheiro da Abrema, o desafio vai além da dimensão técnica e exige soluções estruturais. “Mais do que um problema ambiental, trata-se de um entrave ao desenvolvimento. Sem um modelo financeiramente sustentável, o País continuará incapaz de dar destinação adequada às milhões de toneladas de resíduos que produz, comprometendo o meio ambiente, agravando problemas de saúde pública e desperdiçando uma matéria-prima com alto potencial de geração de valor. É nesse intervalo entre a obrigação legal e a capacidade de execução que ganham relevância operadores especializados”, salienta.
Com mais de quatro décadas de atuação, a Marquise Ambiental atende cerca de 22 milhões de pessoas em todo o País, coleta aproximadamente 13 milhões de toneladas de resíduos por ano e trata 3,6 milhões de toneladas anuais em dez cidades brasileiras. No Ceará, a companhia também integra a GNR Fortaleza, em parceria com a MDC, considerada a maior planta de biometano do Norte e Nordeste, responsável por converter resíduos em combustível renovável.
Nesse contexto, o EcoHub Sol Nascente sintetiza uma mudança de paradigma. Mais do que um aterro sanitário, representa uma infraestrutura inteligente, capaz de integrar tecnologia, escala e sustentabilidade para transformar resíduos em recursos. E dessa forma, reposicionar o papel da gestão ambiental no desenvolvimento urbano e econômico.
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