Transição energética

Energia solar supera R$ 300 bilhões em investimentos e expõe desafios para expansão no Brasil

Por Marlyana Lima - Em 01/05/2026 às 5:48 PM

Medium Shot Engineers Discussing About Solar Pannels

O setor foi responsável por mais de 2 milhões de empregos e gerou R$ 95,9 bilhões em arrecadação pública Foto: Freepik

A energia solar consolida seu avanço como uma das principais forças da transição energética no Brasil, ao mesmo tempo em que evidencia os limites estruturais do setor. Os investimentos acumulados na fonte já ultrapassam R$ 300 bilhões, segundo dados da Absolar, reforçando o protagonismo da tecnologia na matriz elétrica nacional.

O crescimento ocorre em múltiplas frentes — de grandes usinas a sistemas instalados em telhados residenciais e comerciais — e já posiciona a energia solar como a segunda maior fonte da matriz elétrica brasileira, com participação de 25,3%. A capacidade instalada soma 68,6 gigawatts (GW) em operação, distribuídos por mais de 5 mil municípios.

O impacto vai além da geração de energia. Na última década, o setor foi responsável por mais de 2 milhões de empregos e gerou R$ 95,9 bilhões em arrecadação pública, consolidando-se como uma das cadeias produtivas mais dinâmicas da economia verde.

Apesar do avanço estrutural, o ritmo de crescimento perdeu força recentemente. Em 2025, a potência adicionada à matriz caiu 25,6%, passando de 15,6 GW para 11,6 GW — um movimento que acende alerta sobre os desafios do setor.

Consumo direto

A liderança regional também reflete a capilaridade do setor. Na geração centralizada, Minas Gerais, Bahia e Piauí concentram os maiores volumes instalados. Já na geração distribuída, São Paulo, Minas Gerais e Paraná lideram a adoção de sistemas em menor escala, evidenciando o avanço da energia solar no consumo direto.

Para o setor, o momento exige ajustes. A presidente eleita do conselho da Absolar, Barbara Rubim, defende uma agenda voltada à expansão sustentável, com foco em melhorias regulatórias, ampliação do mercado livre de energia e incentivo a tecnologias complementares, como armazenamento e hidrogênio verde.

Entre as medidas em discussão está a regulamentação do armazenamento de energia dentro do Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi), além de ajustes infralegais que podem acelerar investimentos sem necessidade de tramitação no Congresso.

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