CRISE FINANCEIRA

Ações da Estrela despencam 33% após pedido de recuperação judicial

Por REDAÇÃO - Em 20/05/2026 às 3:02 PM

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Fabricante brasileira de brinquedos Estrela enfrenta processo de reestruturação financeira em meio à pressão do mercado — Foto: divulgação

A tradicional fabricante de brinquedos Estrela viu suas ações tombarem até 33% no pregão desta quarta-feira (20), após anunciar pedido de recuperação judicial na Comarca de Três Pontas, em Minas Gerais. A forte volatilidade levou os papéis da companhia a entrarem em leilão na B3, mecanismo acionado para conter oscilações bruscas no mercado.

Na mínima do dia, as ações da empresa chegaram a R$ 3,01. Por volta das 11h10, os papéis ainda registravam queda de 18,85%, cotados a R$ 3,66. As negociações haviam sido retomadas recentemente, após mais de um mês sem movimentação relevante no pregão.

No comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia afirmou que o pedido tem como objetivo reestruturar o passivo do grupo diante do aumento do custo de capital, restrição de crédito e mudanças no comportamento do consumidor infantil, cada vez mais conectado a plataformas digitais e jogos online.

Posicionamento da empresa

“A recuperação judicial tem como objetivo permitir a superação da atual situação econômico-financeira, mediante a reorganização estruturada do endividamento, preservando a continuidade das atividades empresariais, os empregos e a geração de valor para todos os stakeholders”, informou a empresa em nota ao mercado.

Fundada em 1937, a Estrela se consolidou como uma das marcas mais emblemáticas da indústria nacional de brinquedos, atravessando gerações com produtos como Banco Imobiliário, Autorama, Genius, Falcon, Susi e Ferrorama. Ao longo das últimas décadas, a companhia buscou modernizar parte de seu portfólio, mas enfrentou dificuldades para competir com produtos importados e com o avanço do entretenimento digital entre crianças e adolescentes.

A empresa também destacou que pretende manter suas operações industriais, comerciais e administrativas durante o processo de recuperação judicial. “A companhia manterá seus acionistas e o mercado em geral devidamente informados sobre quaisquer desdobramentos relevantes relacionados ao tema”, afirmou.

O caso da Estrela amplia a lista de empresas brasileiras que recorreram recentemente à recuperação judicial em meio ao cenário de juros elevados e desaceleração do consumo. Entre os exemplos recentes está o Grupo Toky, controlador das marcas Tok&Stok e Mobly.

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