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Exportações de grãos crescem em 2026 e pressionam logística com alta nos fretes

Por REDAÇÃO - Em 30/04/2026 às 12:00 PM

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Alta na produção de soja e milho impulsiona presença do Brasil no mercado internacional — Foto: arquivo/Portal IN

As exportações brasileiras de grãos registraram crescimento no primeiro trimestre de 2026, impulsionadas principalmente pelo desempenho da soja e do milho, além do avanço da colheita nas principais regiões produtoras. O aumento da demanda também vem pressionando o setor logístico, com impacto direto nos custos de transporte.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que os embarques de soja no período superaram em 5,92% o volume registrado entre janeiro e março de 2025. Já o milho apresentou um avanço ainda mais expressivo, com crescimento de 15,25% nas exportações no mesmo comparativo.

O desempenho está diretamente ligado à produtividade das lavouras e ao ritmo da colheita. No caso da soja, cerca de 88,1% da área plantada já foi colhida, enquanto o milho da primeira safra ultrapassou metade da área cultivada, segundo o boletim logístico de abril.

A movimentação também se reflete nas rotas de escoamento. As regiões Centro-Oeste e Sul lideram os embarques, com destaque para o estado de Mato Grosso. O chamado Arco Norte concentra parcela relevante das exportações, seguido pelos portos de Santos e Paranaguá.

Custo logístico

Escoamento da safra impulsiona exportações e pressiona custos logísticos no país — Foto: arquivo/Portal IN

O crescimento do volume transportado, aliado à pressão dos combustíveis, tem elevado os custos logísticos em diversas regiões do país. Em Goiás, por exemplo, os fretes chegaram a subir até 35% em algumas rotas, enquanto em estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul as altas alcançaram cerca de 10%.

Segundo o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth, o cenário reflete uma combinação de fatores. “Apesar das oscilações nos preços dos combustíveis, é preciso considerar o bom desempenho produtivo da soja e o volume de carga no contexto da pressão logística”, afirma.

O impacto também é percebido em outras regiões. No Sudeste, São Paulo registrou fretes até 30% mais elevados, enquanto no Nordeste houve aumento de até 23% no Maranhão, impulsionado pelo escoamento da soja.

Além das exportações, o período também registrou avanço nas importações de insumos. As compras de fertilizantes somaram 8,61 milhões de toneladas no trimestre, crescimento de 9,13% na comparação anual, garantindo maior previsibilidade para os próximos ciclos produtivos.

O cenário reforça o peso do agronegócio na balança comercial brasileira, ao mesmo tempo em que evidencia os desafios de infraestrutura e logística diante do aumento da produção e da demanda internacional.

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