Mercado farmacêutico

Fim da patente da semaglutida abre mercado bilionário e pode reduzir preços em até 60% no Brasil

Por Redação - Em 21/03/2026 às 12:01 AM

Ozempic

Com vendas que já ultrapassaram R$ 3,1 bilhões no Brasil em 2023, o Ozempic se consolidou como um dos principais produtos do setor

O fim da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, marca uma inflexão no mercado farmacêutico brasileiro e deve ampliar a concorrência em um segmento que movimenta bilhões de reais. A exclusividade da Novo Nordisk se encerrou nessa sexta-feira (20), abrindo espaço para a entrada de novas fabricantes no país.

A expectativa é de que mais de uma dezena de farmacêuticas disputem esse mercado, incluindo empresas nacionais que já protocolaram pedidos de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Com o aumento da concorrência, os preços tendem a cair. Estimativas indicam que novas versões da semaglutida podem chegar ao mercado com valores entre 15% e 60% inferiores aos medicamentos de referência, dependendo do modelo regulatório e da dinâmica competitiva.

Pela legislação brasileira, medicamentos genéricos devem ser ao menos 35% mais baratos, mas, na prática, estudos mostram reduções médias próximas de 59% em relação ao produto original.

Apesar disso, a queda de preços não deve ser imediata. A entrada de novos produtos depende da aprovação da Anvisa, que avalia critérios de qualidade, segurança e eficácia. Além disso, os valores finais ainda precisam passar pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

Outro fator que pode moderar a redução de preços é a natureza do produto. Por se tratar de um medicamento biológico, a semaglutida tende a ter versões chamadas biossimilares — e não genéricos tradicionais — o que pode limitar quedas mais agressivas no curto prazo.

Mesmo com essas restrições, o impacto no mercado tende a ser relevante. Com vendas que já ultrapassaram R$ 3,1 bilhões no Brasil em 2023, o Ozempic se consolidou como um dos principais produtos do setor, impulsionado pela demanda no tratamento de diabetes e obesidade.

A quebra da patente, portanto, deve ampliar o acesso ao medicamento e ao mesmo tempo intensificar a competição entre farmacêuticas, reposicionando um dos segmentos mais dinâmicos da indústria de saúde no país.

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