VAREJO NACIONAL
Grupo Casas Bahia pede recuperação judicial em São Paulo diante de pressão financeira
Por Redação - Em 17/08/2026 às 8:45 AM

Companhia atribui decisão aos juros elevados, restrição de crédito e aumento dos custos financeiros e afirma que lojas e canais de venda continuarão operando durante o processo
O Grupo Casas Bahia protocolou, nesta segunda-feira (17), um pedido de recuperação judicial no Foro Central Cível de São Paulo. A medida, aprovada pelo conselho de administração e pelo acionista controlador, inclui a companhia e nove subsidiárias e representa uma nova etapa da reestruturação financeira de um dos maiores grupos de varejo do País.
Em fato relevante encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa relacionou a decisão à deterioração de suas condições econômico-financeiras. Entre os fatores apontados estão a manutenção dos juros em patamares elevados, a restrição de crédito, o aumento do custo financeiro e os efeitos desse cenário sobre o consumo e a necessidade de capital de giro.
O grupo também informou que alternativas de liquidez que vinham sendo estruturadas não se concretizaram, contribuindo para a decisão de recorrer à proteção judicial.
Segundo a companhia, a recuperação judicial deverá permitir uma reorganização ordenada das obrigações financeiras e criar condições para a continuidade dos negócios. O processo passa a integrar a estratégia de reestruturação que o Grupo Casas Bahia vem conduzindo para enfrentar a pressão sobre sua estrutura de capital.
A empresa afirmou que pretende manter suas operações durante o processo, incluindo os diferentes canais de venda, sem interrupções relevantes. A orientação, segundo o comunicado ao mercado, é preservar o atendimento aos consumidores e os atuais níveis de serviço.
A recuperação judicial permite que uma empresa em dificuldade financeira negocie suas dívidas com credores sob supervisão da Justiça, enquanto mantém suas atividades. Após o processamento do pedido, a companhia deverá apresentar um plano detalhando as condições propostas para reorganizar suas obrigações.
Dez empresas do grupo
Além do Grupo Casas Bahia, outras nove empresas integram o processo: ASAP Log – Logística e Soluções; ASAP Log; CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística; Cntlog Express Logística e Transporte; Globex Administração e Serviços; Cnova Comércio Eletrônico; Integra Soluções para Varejo Digital; Casas Bahia Tecnologia; e Indústria de Móveis Bartira.
A abrangência do pedido alcança, portanto, estruturas ligadas não apenas ao varejo, mas também às operações digitais, de tecnologia, logística e fabricação de móveis do conglomerado.
O conselho de administração também aprovou a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para que os acionistas apreciem a ratificação do pedido de recuperação judicial.
De acordo com a companhia, o ajuizamento foi realizado “em caráter de urgência”. Os detalhes sobre a AGE e a proposta que será submetida aos acionistas serão divulgados posteriormente.
Com o pedido, o Grupo Casas Bahia passa a concentrar esforços na preservação das operações enquanto negocia uma reorganização de suas obrigações. O avanço do processo dependerá agora das decisões da Justiça e, posteriormente, das negociações com os credores em torno do plano de recuperação.
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