AVIAÇÃO
Guerra eleva conta de combustível das aéreas em R$ 5,2 bilhões e QAV acumula alta de 49%
Por Redação - Em 11/08/2026 às 12:01 AM

Avião Agência Brasil
As companhias aéreas brasileiras acumularam R$ 5,2 bilhões em despesas adicionais com combustível desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, em 28 de fevereiro. O cálculo é da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), fundada por Azul, Gol e Latam, e dimensiona o impacto da alta internacional do petróleo sobre os custos da aviação no País.
O querosene de aviação (QAV) acumula aumento de 49% desde o começo do conflito, segundo a entidade. O avanço considera o reajuste de 1,9%, equivalente a R$ 0,09 por litro, anunciado pela Petrobras no início de agosto.
A escalada dos preços também alterou a composição das despesas das empresas. Antes da guerra, o combustível representava 32% dos custos das companhias aéreas brasileiras. Agora, essa participação chegou a 39%, avanço de sete pontos percentuais.
O impacto ficou especialmente evidente em maio, quando o preço do combustível praticamente dobrou em relação aos níveis anteriores ao conflito, de acordo com a Abear.
Somente naquele mês, as companhias desembolsaram cerca de R$ 1,6 bilhão além do inicialmente previsto com QAV. A associação calcula que esse montante seria suficiente para custear o arrendamento de aproximadamente 830 aeronaves.
A comparação ganha dimensão diante do tamanho da frota em operação no mercado nacional. Segundo o presidente da Abear, Juliano Noman, cerca de 500 aviões estavam voando no Brasil em junho.
O comportamento do QAV está diretamente relacionado às oscilações do mercado internacional de petróleo e derivados. Como o combustível tem peso elevado na estrutura financeira das companhias, movimentos expressivos de preços podem afetar rapidamente os custos das operações.
Queda de 14,2% em julho não anulou alta
Depois de três aumentos consecutivos, a Petrobras reduziu o preço do QAV em 14,2% em julho, corte correspondente a R$ 0,93 por litro.
A redução, entretanto, não foi suficiente para devolver o combustível aos patamares anteriores ao conflito. Com o novo reajuste de 1,9% anunciado em agosto, a alta acumulada desde fevereiro permanece em 49%, conforme os números apresentados pela Abear.
A pressão está associada às incertezas sobre a oferta mundial de petróleo. Um dos principais focos de preocupação é o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o mercado energético internacional e por onde passa aproximadamente um quinto do petróleo consumido globalmente.
Setor terá R$ 13,2 bilhões em crédito
Em meio ao aumento das despesas, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou, no fim de julho, R$ 13,2 bilhões em crédito para Gol, Latam, Azul e Abaeté.
Do montante total, R$ 8 bilhões serão direcionados a capital de giro. A taxa de financiamento anunciada é de 4% ao ano.
Gol, Latam e Azul poderão acessar até R$ 2,6 bilhões cada uma. Para a Abaeté Táxi Aéreo, companhia regional, o limite previsto é de R$ 8 milhões.
Os R$ 5,2 bilhões de gastos extraordinários com combustível equivalem a aproximadamente 39% de todo o crédito anunciado pelo BNDES para as companhias. Na comparação apenas com os R$ 8 bilhões reservados para capital de giro, o custo adicional acumulado com QAV corresponde a 65% desse montante.
A evolução do preço do combustível tornou-se, assim, uma das principais variáveis para o desempenho financeiro da aviação brasileira em 2026. Com o QAV respondendo por 39% dos custos e acumulando alta de 49% desde fevereiro, as empresas enfrentam uma conta bilionária diretamente ligada às oscilações do petróleo no mercado internacional.
Mais notícias
mercado de luxo


























