OPERAÇÕES DE ALTO VALOR
Mercado de fusões e aquisições mobiliza R$ 195 bilhões no Brasil no 1SEM26
Por Marcelo Cabral - Em 18/08/2026 às 1:41 PM
O mercado de fusões e aquisições (M&A) no Brasil iniciou 2026 em um ritmo que revela uma mudança importante no perfil dos investimentos. Embora o número de operações tenha recuado, o volume financeiro alcançou R$ 195 bilhões no primeiro semestre – crescimento superior a 22% em relação ao mesmo período do ano anterior. O movimento indica que investidores passaram a concentrar recursos em ativos considerados estratégicos para ganhos de escala, competitividade e crescimento de longo prazo.

Alcoa adquiriu ativos de mineração e refinaria da South32 por R$ 28,5 bi
Levantamento da KPMG mostra que foram anunciadas 610 operações entre janeiro e junho deste ano, frente às 938 registradas no primeiro semestre de 2025. A redução de 35% na quantidade de transações contrasta com o avanço expressivo do capital mobilizado, reforçando um ambiente marcado por maior seletividade dos investidores.
Na avaliação do coordenador da pesquisa e sócio da KPMG, Paulo Guilherme Coimbra, a dinâmica evidencia uma mudança no perfil das negociações. “Embora o número de operações tenha diminuído, observamos um crescimento expressivo no valor movimentado, indicando que investidores continuam identificando oportunidades relevantes e priorizando transações com maior impacto estratégico e capacidade de geração de valor no longo prazo”, analisa.
Ativos de grande valor
Entre os maiores negócios anunciados no período estão a aquisição de ativos de mineração e refinaria da South32 pela Alcoa Corporation, avaliada em aproximadamente R$ 28,5 bilhões; a compra da Serra Verde pela USA Rare Earth, por cerca de R$ 13,9 bilhões; e a aquisição da Raízen Argentina pela Mercuria, em operação estimada em R$ 7,2 bilhões. O perfil dessas negociações evidencia o interesse crescente por setores considerados estruturantes da economia global, como mineração, energia e recursos estratégicos. Todos são segmentos diretamente relacionados às cadeias de transição energética, infraestrutura e segurança industrial.
Para o sócio líder de Transações e Estratégia da KPMG, Alan Riddell, o cenário aponta para um mercado mais criterioso, mas igualmente ativo. “Os dados indicam que o mercado brasileiro de fusões e aquisições continua ativo, porém mais concentrado em operações de grande porte e alto valor agregado. As maiores operações do semestre demonstram a continuidade do interesse de investidores por ativos estratégicos em setores fundamentais para a economia, como mineração, serviços financeiros e energia. Em um ambiente de maior seletividade, empresas e investidores têm direcionado seus esforços para ativos estratégicos capazes de acelerar crescimento, ganho de escala e competitividade, reforçando a confiança nas perspectivas de longo prazo da economia brasileira”, destaca.
Capital mais seletivo
A pesquisa também revela retração nas principais modalidades de investimento. As operações domésticas passaram de 705 para 419 transações, enquanto os negócios envolvendo investidores estrangeiros recuaram de 233 para 191 operações.
Já os investimentos conduzidos por fundos de private equity e venture capital somaram 146 transações, abaixo das 266 registradas um ano antes. Apesar da redução no volume, o valor financeiro dessas operações cresceu mais de 30%, reforçando a preferência por investimentos de maior porte e elevado potencial de retorno.
Outro avanço do estudo foi a adoção de uma metodologia mais alinhada às práticas internacionais, incorporando métricas de valor, revisão dos critérios de contabilização e uma análise baseada nas transações efetivamente anunciadas. Tais números sugerem que em vez da pulverização de negócios, investidores concentram recursos em operações capazes de redefinir posições competitivas e acelerar processos de consolidação em setores considerados estratégicos para a economia brasileira.
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