'ECONOMIA PRATEADA'
Público 60+ redesenha modo de consumo e impulsiona novos mercados no Brasil
Por Marcelo Cabral - Em 26/05/2026 às 11:13 AM
O Brasil atravessa uma transformação silenciosa, porém profunda, em sua dinâmica social e econômica. O País já soma entre 32 milhões e 34 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, segundo levantamento realizado pelo IBGE – um contingente que deve alcançar cerca de 58 milhões até 2040, posicionando o Brasil entre as nações com maior número absoluto de idosos no mundo.

Setor náutico vem registrando expansão significativa de vendas nos últimos anos Foto: Divulgação
Essa mudança demográfica já começa a redesenhar diferentes setores da economia, especialmente aqueles ligados ao consumo de alto padrão, ao bem-estar e à qualidade de vida. Mais do que uma alteração estatística, o avanço da chamada ‘economia prateada’ revela uma mudança de mentalidade. O consumo passa a ser menos orientado por status e mais conectado à experiência, ao tempo de qualidade e à convivência familiar.
No setor náutico esse movimento é evidente. Embarcações deixam de ser vistas exclusivamente como símbolos de prestígio e passam a ocupar um espaço mais relevante no cotidiano das famílias. Hoje, são utilizadas como plataformas de lazer recorrente, viagens curtas e momentos compartilhados entre gerações. Dados do estaleiro Triton Yachts indicam que as vendas para o público 60+ cresceram cerca de 40% nos últimos anos, consolidando esse perfil como um dos principais motores do segmento em todo o território nacional.
Consumidor consciente e estratégico
O novo perfil de consumo é marcado por decisões mais racionais e planejadas. Em sua maioria, são indivíduos que construíram patrimônio ao longo da vida e que, agora, priorizam investimentos associados ao bem-estar, conforto e qualidade de vida.
Segundo Allan Cechelero, esse movimento ganhou força especialmente após a pandemia. “Esse público está em uma fase em que começa a olhar mais para o próprio tempo. São pessoas que trabalharam muitos anos e querem aproveitar a vida de forma mais leve. Cresceu muito a percepção de que é preciso viver o presente”, afirma o diretor do estaleiro.
Embora ainda predominante entre homens, a decisão de compra tem sido cada vez mais compartilhada, com maior participação feminina, sobretudo na escolha de layouts, itens de conforto e espaços de convivência existentes nos bens a serem adquiridos.
Impacto transversal na economia
O avanço desse público também já influencia o setor imobiliário, com o desenvolvimento de empreendimentos pensados para maior acessibilidade, conforto e funcionalidade, além de impulsionar segmentos ligados ao turismo, saúde e serviços personalizados.
Com maior disponibilidade de tempo e renda, consumidores acima de 60 anos passam a exercer um papel central na economia contemporânea. Com isso, as empresas estão sendo estimuladas a promover a criação de produtos e experiências alinhados a um novo estilo de vida.
A ascensão da ‘economia prateada’ sinaliza uma mudança estrutural no consumo brasileiro. O luxo deixa de ser apenas uma demonstração de elevado poder aquisitivo e passa a refletir escolhas mais subjetivas – principalmente ligadas à liberdade, à melhor utilização do tempo livre e à construção de memórias afetivas.
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