Política Fiscal

Governo avalia prorrogar imposto sobre exportação de petróleo para segurar preços dos combustíveis

Por REDAÇÃO - Em 26/05/2026 às 12:30 PM

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Governo monitora impacto da crise internacional do petróleo sobre combustíveis e arrecadação federal — Foto: Agência Brasil

O governo federal estuda manter a cobrança de 12% sobre as exportações de petróleo bruto mesmo após julho, quando vence a medida provisória que instituiu o tributo como forma de financiar políticas de contenção da alta do diesel no Brasil. A avaliação ocorre em meio às pressões provocadas pela escalada dos preços internacionais do petróleo após o fechamento do Estreito de Hormuz, rota responsável pelo escoamento de cerca de 20% da produção mundial da commodity.

Segundo pessoas envolvidas nas discussões internas do governo, a renovação da medida poderá ocorrer por decreto presidencial ou por decisão da Câmara de Comércio Exterior (Camex), já que a medida provisória enfrenta dificuldades para avançar no Congresso Nacional.

Inicialmente, a equipe econômica cogitou enviar um projeto de lei para manter a tributação sobre o petróleo exportado, mas prevaleceu o entendimento de que, por se tratar de um imposto com finalidade arrecadatória, a renovação poderia ocorrer sem necessidade de aprovação parlamentar.

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Ministros Bruno Moretti (Planejamento), Dario Durigan (Fazenda), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) no anúncio do pacote de medidas do Governo Federal — Foto: Ricardo Botelho/MME

A medida foi anunciada em março como parte do pacote de ações para reduzir os impactos da crise internacional do petróleo sobre os preços dos combustíveis no mercado interno. O conflito envolvendo o Irã e o fechamento do Estreito de Hormuz pressionaram os preços globais da commodity e elevaram os custos do diesel no Brasil.

Resistência do setor

O tema, no entanto, enfrenta resistência de grandes petroleiras que atuam no país, como Shell, Equinor, Total e Repsol Sinopec, que recorreram à Justiça contra a cobrança. Apesar das ações judiciais, o tributo segue mantido.

Levantamento do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP) aponta que a União amplia sua arrecadação com o imposto, enquanto estados e municípios podem registrar perdas na divisão de receitas. Segundo o estudo, com o barril do tipo Brent a US$ 90, a arrecadação federal subiria de R$ 45 bilhões para R$ 68 bilhões com a cobrança da taxa sobre exportações.

Defesa da Fazenda

Mesmo diante das críticas do setor, o Ministério da Fazenda defende que a política ajudou a ampliar o processamento interno de petróleo e derivados. Em nota, a pasta afirmou que “a criação do imposto de exportação ampliou a produção de derivados nas refinarias brasileiras”, acrescentando que o processamento de petróleo atingiu, em abril, “o nível mais elevado observado nos últimos meses”.

Posto De Combustível

Tributação sobre exportações de petróleo entrou no centro das discussões sobre preços dos combustíveis no Brasil — Foto: arquivo/Portal IN

A Fazenda também argumenta que o Brasil conseguiu aumentar simultaneamente as exportações e o abastecimento doméstico. “A coexistência de exportações elevadas com recordes de processamento interno sugere que o país conseguiu responder simultaneamente à demanda global e garantir o abastecimento doméstico”, informou o ministério.

Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que, desde março, houve leve oscilação na produção nacional de diesel S10 e S500, enquanto as exportações brasileiras de óleo cru avançaram de 69,2 milhões para 75,4 milhões de toneladas até abril.

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