Indústria farmacêutica

EMS entra no mercado bilionário da semaglutida com aval da Anvisa

Por Redação - Em 26/05/2026 às 11:52 AM

Ozempic, Semaglutida, Liraglutida Foto Freepik

O produto, batizado de Ozivy, foi desenvolvido pela EMS e utiliza o mesmo princípio ativo presente no Ozempic FOTO: Magnific

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro da primeira versão sintética de semaglutida desenvolvida no Brasil, marcando um novo capítulo no mercado de medicamentos para diabetes e controle de peso. O produto, batizado de Ozivy, foi desenvolvido pela EMS e utiliza o mesmo princípio ativo presente no Ozempic, medicamento que se tornou um fenômeno global nos últimos anos.

A autorização ocorre pouco mais de dois meses após o vencimento da patente da semaglutida no país, encerrada em 20 de março. Com o fim da exclusividade da fabricante dinamarquesa Novo Nordisk, o mercado brasileiro passou a atrair uma corrida de laboratórios interessados em lançar alternativas ao medicamento de referência.

Segundo a Anvisa, o Ozivy é a primeira caneta de semaglutida sintética análoga a um medicamento biológico aprovada para comercialização no Brasil. O pedido de registro foi protocolado em 2023 e passou pelo processo regulatório de avaliação de eficácia, segurança e qualidade exigido pela agência.

A aprovação representa um avanço estratégico para a indústria farmacêutica nacional. Até então, a semaglutida disponível no mercado brasileiro era fornecida exclusivamente pela Novo Nordisk. A entrada de um concorrente nacional tende a ampliar a oferta do medicamento e aumentar a competição em um segmento que movimenta bilhões de reais globalmente.

O registro também pode contribuir para melhorar a disponibilidade do produto no mercado. Nos últimos anos, a elevada demanda por medicamentos à base de semaglutida provocou episódios de escassez em diversos países, impulsionados pelo uso crescente tanto no tratamento do diabetes tipo 2 quanto no controle da obesidade.

A disputa, porém, está apenas começando. De acordo com a Anvisa, outros cinco medicamentos sintéticos à base de semaglutida e um produto biológico semelhante seguem em análise regulatória. A expectativa do setor é que novas aprovações ampliem a concorrência nos próximos meses, pressionando preços e expandindo o acesso dos pacientes à terapia.

A aprovação do Ozivy coloca a EMS na dianteira dessa nova etapa do mercado farmacêutico brasileiro e reforça a aposta da indústria nacional em medicamentos de alta complexidade tecnológica, um segmento considerado estratégico para o fortalecimento da produção local e para a redução da dependência de produtos importados.

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